Pular para o conteúdo principal

Postagens

Entender ( ou não ) , por Clarice Lispector.

" Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo." Clarice Lispecto

O gênio Gustavo Gustavo Kuerten - 20 anos de seu primeiro título em Roland Garros - Paris

Há duas décadas, Gustavo Kuerten saía do anonimato para conquistar Roland Garros e o coração do mundo inteiro. A epopeia do brasileiro em 1997, até hoje a maior zebra da história do Grand Slam, não passará batida. Para lembrar o feito do menino de Florianópolis, que na época tinha 20 anos, a Federação Francesa de Tênis (FFT) lançou uma mini-documentário de 19 minutos. Nele, mostra bastidores da conquista jogo a jogo, entrevistas com Gustavo Kuerten, a mãe Alice, o irmão Rafael, além do primeiro técnico e amigos de infância. Com o título “O Guga – The legendary victory of Gustavo Kuerten in 1997- Roland-Garros”, o material foi produzido em Florianópolis, que recebeu a visita de documentaristas francesas. A película é mesclada por imagens do acervo da família, jogos e bastidores da primeira experiência de Guga como campeão após bater o espanhol Sergi Bruguera na decisão. O documento tem registros importantes dos bastidores das duas semanas do Grand Slam, com passagens marcantes ...

Zafar...La Vela Puerca

No voy a tolerar, que ya no tengan fe Que se bajen los brazos, que no haya lucidez. Me voy, volando por ahí Y estoy, convencido de ir Me voy, silbando y sin rencor Y estoy, zafando del olor.

Frase de Fahrenheit 451 por Ray Bradbury

"— A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?" - Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Crônicas do Cotidiano - Rabisco de Papel

Desenho de Iane Maria   Já algum tempo, pensava em ter uma linha telefônica em casa. Tinha até mesmo separado um espaço na estante da sala para colocar o aparelho.   Entrei em contato com a operadora, escolhi um plano que se adequasse as minhas necessidades e solicitei a instalação. Agora só faltava comprar um aparelho. Pensei num modelo antigo, daqueles que você precisa enfiar o dedo no discador para ligar,  sabe? Se possível igual ao que meus pais tinham em casa nos anos 80. Naquela época minha única preocupação era com a minha mãe gritando do portão de casa, que o jantar estava na mesa. Passeando pela feira de antiguidades no vão livre do Masp, encontrei um modelo muito parecido com o que tínhamos. Até na cor creme, eram iguais. O difícil foi convencer o senhor que cuidava da barraca a me vender num preço razoável. Precisei fazer umas três ofertas até conseguir por chantagem emocional que ele topasse. Confesso que não foi fácil discar os númer...

Caixa do Correio # 25

1. Formas de Voltar para Casa  –  Alejandro Zambra  I  2. A Balada do Café Triste  – Carson McCullers                 ETIQUETA:  ALEJANDRO ZAMBRA Filho de Horacio Zambra e Rosa Infantas, nasceu em Villa Portales, mas quando Alejandro tinha cinco anos de idade, se mudaram à villa Las Terrazas, em  Maipú . Zambra se matriculou no sétimo ano básico   no Instituto Nacional José Miguel Carreira, onde chegaria a ser presidente da ALCIN (Academia de Letras Castelhanas) em 1993. Ingressou depois na   Universidade de Chile   (licenciou-se em Literatura Hispânica). Aos 20 anos já vivia independentemente e, além de estudar, trabalhava: respondendo  a telefonemas, em bibliotecas, como carteiro, como  junior.   Assim recorda aquela época em que se considerava poeta: Depois de se formar em 1997, conseguiu uma bolsa em   Madri.   Em Espanha obteria um mestrad...

Crônicas do Cotidiano - Eu, Kid Vinil e o Elevador

( Este post foi publicado inicialmente em fevereiro de 2016) Estava voltando da faculdade. Era mais uma noite chuvosa em São Paulo, quando o Kid Vinil entrou no elevador. Morávamos no mesmo prédio, mas aquela era a primeira vez que nos encontrávamos. Acho que nossos horários não se cruzavam.  Cumprimentei-o com um leve aceno de mão. Ele retribuiu com um olá. Putz ! O ícone do rock dos anos 80, estava ali, ao meu lado, pensei.  Precisa falar alguma coisa, puxar conversar...sei lá. Revelei ser seu fã. De gostar de suas músicas e de ter crescido ouvindo elas. Kid Vinyl agradeceu, mostrando um sorriso contido.Por certo ouvia isso a todo tempo. Que original de minha parte. [ Como é difícil estar próximo de uma pessoa famosa, sem parecer tosco]. Como fã, precisa dizer alguma coisa única. Mas o que ? Foi aí, que eu revelei meu lado mais obscuro - cantei uma de suas músicas. Ele empalideceu, fez caretas, me olhou com espanto. Temi estar fora do tom, de  ter err...