4 de junho de 2014

Crônicas do Cotidiano - Eu, meus amigos e a praça.






Num tempo não muito distante, meus amigos e eu, gostávamos de sentar na praça em frente ao Bazar do seu Geraldo. Conversávamos sobre tudo. Mas principalmente sobre meninas, futebol, e vídeo game ...

Por vezes, com algumas moedas no bolso fazíamos vaquinha para comprar uma coca-cola de litro bem gelada, e dividida ali mesmo, em copos plásticos. Me lembro também " Do contra " ( Futebol de Rua ) com os meninos do outro bairro; Éramos um verdadeiro esquadrão ! O asfalto era riscado com pedra, para demarcar as dimensões do campo, os paralelepípedos ou chilenos faziam às vezes da trave, a calçada virava arquibancada  e os carros que volta e meia passavam, eram  juiz e bandeiras, prontos para atrapalhar um bom ataque.

Só me lembro de voltar para casa com o dia já escurecendo; quando minha mãe gritava do portão de casa que o jantar estava na mesa ou quando o seu Geraldo fechava o Bazar.

Então vieram as mídias sócias -  Orkut, Facebook , WhatsApp, instagram...etc.

No começo era até legal, pois você podia reencontrar uma série de  amigos e familiares que por algum motivo  ficaram no passado. Era uma tiração de sarro total ! Uns carecas, outros enamorados, tinham os  pais " frescos ", os pançudos, aqueles que se mudaram.

Enfim, era uma forma de mostrar que de um tempo a essa parte, as pessoas ainda tinham algum significado em nossas vidas. Pelo menos em alguma parte delas.

Então a vida na rede social começou a correr mais rápido do que o tempo. O que era novidade em um dia, passava a mero arquivo pessoal em questão de minutos ; como se fossem consumidas com prazo de validade. Fotos de academia, almoço, namorada, viagem e até foto de banheiro passaram a surgir do nada. Nem o simples ato de dormir, escapava.

Logo a vida real se apequenou diante das possibilidades do mundo virtual;supérflua e individualista.

A praçinha  hoje, anda vazia. O bazar do Seu Geraldo, que vivia apunhado de crianças com a venda de pipas, salgadinhos e bolas de gude não resistiu aos novos tempos.

Quando esbarro com algum amigo andando pelo bairro, sempre me questionam o motivo de eu ter sumido.

Talvez, por não ser eu muito ligado às redes sociais, ou por ainda continuar sentado na mesma praça, na esperança de que algum dia as coisas voltem ao normal.

Ah !Sabe o seu Geraldo ? Agora ele  virou - Seu Geraldo do Bazar.  E você pode encontrá-lo. Mas só no facebook.