25 de abril de 2016

Rutinas por Mario Benedetti ( Cuento)


A mediados de 1974 explotaban en Buenos Aires diez o doce bombas por la noche. De distinto signo, pero explotaban. Despertarse a las dos o las tres de la madrugada con varios estruendos en cadena, era casi una costumbre. Hasta los niños se hacían a esa rutina.
Un amigo porteño empezó a tomar conciencia de esa adaptación a partir de una noche en que hubo una fuerte explosión en las cercanías de su apartamento, y su hijo, de apenas cinco años, se despertó sobresaltado.
"¿Qué fue eso?", preguntó. Mi amigo lo tomó en brazos, lo acarició para tranquilizarlo, pero, conforme a sus principios educativos, le dijo la verdad: "Fue una bomba". "¡Qué suerte!", dijo el niño. "Yo creí que era un trueno".
FIN

23 de abril de 2016

Shakespeare, 400 anos da sua morte.


O mundo celebra hoje os 400 anos da morte do maior de todos os escritores,( junto com Dante Alighieri) o inglês William Shakespeare, nascido na bucólica Stratford-upon-Avon e morto 52 anos depois, em 23 de abril de 1616. Poeta, dramaturgo e empresário, Shakespeare produziu ao longo de 25 anos de atividade 39 peças teatrais, entre elas algumas das maiores obras-primas da literatura.

Não foi apenas o maior poeta e prosador da história. “Ele inventou o humano como o conhecemos até hoje”, escreve o crítico Harold Bloom no livro Shakespeare – a invenção do humano,  Bloom argumenta que, na enorme variedade de personagens que criou, Shakespeare escreveu tudo aquilo que pensamos e vivemos no séculos seguintes.

Seu livro analisa uma a uma 35 das peças de Shakespeare. É uma leitura pessoal, mas uma das melhores introduções à obra dele. Shakespeare foi mais inteligente do que todos nós. Conhecia os limites da linguagem, que tentava expandir para representar nossa condição humana, com todas as suas dores, alegrias e contradições.

Seus personagens se tornam humanos na medida em que refletem sobre seus sentimentos e seus atos. É com essa auto-consciência que nos identificamos e aprendemos a respeito de nós mesmos. Na centena de tipos criados por Shakespeare, Bloom destaca sete.

Iago, de Otelo – É o vilão dos vilões. Preterido numa promoção pelo general Otelo, Iago engendra uma vingança ardilosa, que leva o chefe a matar a própria mulher a a acabar com a própria vida. A religião de Iago é a guerra, sua vitória é a aniquilação do adversário e nada mais. “A literatura moderna não superou Iago, ele permanece o perfeito diabo do Ocidente”, escreve Bloom. “Soberbo como psicólogo, roteirista, crítico dramático e teólogo da negatividade.”

Cleópatra, de Antônio e Cleópatra – O casal formado pelo general romano e pela rainha egípcia quer não apenas ser parte do mundo, mas quer ser o próprio mundo, com a união dos dois impérios. Represeentam um universo a quem todos devem se curvar. Mas quem é na realidade o casal-celebridade? “Cleópatra nunca deixa de desempenhar o papel de Cleópatra”, diz Bloom. É o papel de deusa egípcia, senhora imperial. A morte de Antônio e a inevitável perda do poder a leva a tramar o próprio fim. Mesmo diante da áspide que acabaria por dar-lhe a picada fatal, ela mantém um certo ar distante, como se ainda atuasse em vez de viver.

Lear, de Rei Lear – O rei louco, seguido pelo bobo da corte em seus delírios, depois de ser traído por duas das três filhas a quem legara suas terras, é a lembrança do vazio essencial da nossa existência. “Para aqueles que acreditam que a justiça divina de algum modo prevalece neste mundo, a tragédia de Lear mostra que somos todos ‘bobos’ no sentido Shakespeariano, exceto aqueles que são vilões descarados”, diz Bloom. “Bobos em Shakespeare pode significar ‘trouxas’, ‘amados’, ‘loucos’, ‘bobos da corte’ e, mais que tudo, ‘vítimas’. O sofrimento de Lear não é redimido nem pode ser redimido.”

Macbeth, da peça homônima – Como Iago, o general escocês é um vilão que, movido por uma profecia e incentivado pela mulher, trai e destrói seus pares para conquistar o poder, até que a profecia se volta contra ele. Ao contrário de Iago, ele sofre intensamente porque sabe que faz o mal e que deve continuar a praticá-lo em doses ainda maiores. “Nós somos Macbeth, nossa identidade com ele é involuntária, mas inescapável”, diz Bloom. “Macbeth nos aterroriza em parte porque esse aspecto da nossa imaginação é tão assustador; parece fazer de nós assassinos, ladrões, usurpadores e estupradores.”

Hamlet, de Hamlet – O jovem príncipe da Dinamarca é o maior personagem da literatura. Sua tragédia é a mais humana das tragédias: ele conhece a verdade – e nada pode fazer. Em seus solilóquios, na sua auto-reflexão sobre a vida, Shakespeare cria uma mente intelectualmente insuperável, que transcende a própria peça. “Ele tem uma mente tão poderosa que a maioria das atitudes, valores e julgamentos contrários podem coexistir nela de modo coerente, tão coerente que Hamlet se tornou todas as coisas para todos os homens e mulheres”, diz Bloom. “Mal  conseguimos pensar em nós mesmos como seres autônomos sem pensar em Hamlet, mesmo que nem estejamos conscientes de que estamos lembrando dele.”

Rosalind, de Como quiserdes – Se o gênio de Shakespeare estava na tragédia, sua alma estava na comédia. Como em Hamlet, o trono do pai de Rosalind também é usurpado pelo irmão. Mas sua atitude é outra. Ela consegue o homem que quer e, graças a sua astúcia, seu pai obtém o reino de volta. O apelo de Rosalind está na virtude. Ela é bela, inteligente, leal e, amis que tudo, espirituosa. “A boa sorte de Rosalind é estar no dentro de uma peça em que nenhum mal de verdade pode acontecer com ninguém”, diz Bloom. “A glória de Rosalind, e de sua peça, é sua confiança, e a nossa, de que tudo vai dar certo.”

Falstaff, de Henrique IV – Beberrão, mulherengo e amante dos prazeres da vida, o velho militar John Falstaff, preceptor do príncipe Hal (e futuro rei Henrique V) era o mais popular dos personagens de Shakespeare em seu próprio tempo. Sua inteligência é comparável à de Hamlet, mas ele é dono de uma irreverência que Bloom qualifica como “engrandecedora da vida e destruidora de estados”. Falstaff representa a mais humana de todas as aspirações: a liberdade. Ele é a resposta para aqueles que se levam a sério demais, o antídoto perfeito para os acadêmicos que tentam aprisionar Shakespeare em celas de teorias políticas, ideológicas, psicanalíticas, feministas, multiculturais ou de qualquer outra moda. Num sangrento campo de batalha, diante de uma batalha absurda e sem sentido que acaba tendo de travar, Falstaff solta a exclamação que melhor define a obra de Shakespeare: “Dá-me vida!”.

Fonte : O globo

20 de abril de 2016

18 de abril de 2016

Crônicas do Cotidiano - Casa de Umbanda


Chego à academia pouco antes das cinco horas da manhã. A lua timidamente se escondia atras da neblina. Havia poucas pessoas pelas ruas. Quase se pode ouvir o barulho da respiração.

No começo éramos seis desbravadores, que se arriscavam a levantar cedo e se exercitar.

No verão dava gosto de ver - todos animados, falantes, entusiasmados em trocar informações sobre aparelhos, dietas e séries de exercícios. Então o temido inverno chegou. E com ele alguns pecados capitais como preguiça, gula, ira e orgulho.

Dos seis, o primeiro a abandonador o barco, foi seu José Carlos, o mais velho da turma. Em seguida, Milton,Chico, Dálton e por último o Décio, que preferiu economizar, fazendo academia no condomínio onde morava. Então estava só. 

Certo dia, um senhor que costumeiramente me encontrava voltando da academia, puxou conversa... Tinha passado por um problema cardíaco e como recomendação médica precisava se exercitar. Na semana seguinte ele começou.

Encontrávamos-nos três vezes por semana, ele um senhor de 70 anos, maduro, já avô de três lindas meninas, pastor de uma igreja pentecostal.

Não sou muito de falar, principalmente quando se têm pouco fôlego numa esteira ergométrica, mas suas histórias eram cativantes. Tinha pregado em aldeia indígena, penitenciaria, cidades alagadas, igrejas completamente lotadas onde não cabia mais uma alma viva e outras que só tinham almas. Seus causos eram intrigantes, dizia ela que em uma sessão de descarrego o tal do espírito não arredava o pé da pessoa, nem com reza braba. Suas narrativas eram sempre cheias de muito humor e ironia.

Numa sexta-feira, atarefado que estava com assuntos do meu escritório, recebo uma ligação da minha contadora. Precisava que eu assinasse alguns documentos com urgência. Marcamos para o fim daquela tarde.

Chegando ao escritório da contadora, notei que a porta estava trancada. Toquei o interfone umas três vezes antes de ser atendido por ela, mas na porta do comércio ao lado.Surpreso com a mudança repentina, entrei, no que deveria ser uma casa de artigos religiosos.

Ela tinha recém alugado o ponto, do que no passado era uma casa de Umbanda e Candomblé. No começo fiquei assustado, pois as prateleiras se mostravam vastas em artigos religiosos; Atabaques, bebidas, charutos, madeira, incensos e velas que pertenciam ao antigo inquilino, que havia prometido retirar tudo no fim de semana.

Enquanto eu usava um dos atabaques para assinar os documentos, ela me mostrava o croqui com a disposição dos moveis e as tintas recém compradas para pintar o salão.Tinha comprado mesas e cadeiras novas, quadros, e baldes de tintas claras, graças ao novo cliente, uma multinacional, a pouco estabelecida na cidade.

Quando me preparava para deixar a loja, observo do outro lado da calçada, o pastor caminhando tranquilamente com sua esposa. Gritei com todas minhas forças, e notei que não me ouvia. Talvez não tenha me visto, pensei.

Na segunda-feira ele não apareceu na academia. Também não apareceu na semana, nem naquele mês. Liguei inúmeras vezes para sua casa, mas sua esposa tinha sempre a mesma resposta: “O pastor estava trabalhando numa alma perdida.”

Passaram-se meses até que voltássemos a nos encontrar caminhando pelo centro. No cumprimentamos cordialmente, e antes mesmo que eu abrisse minha boca, ele quis saber se eu ainda frequentava aquela casa de Umbanda. Respondi com um não, surpreso! Mas como ele sabia ? 

Ele sorriu discretamente, como se esperasse uma confirmação divina.

- Você ainda vai à academia? – perguntou ele.

- Segundas, quartas e sextas - respondi.

- ótimo !Talvez eu apareça - E se perdeu em meio à multidão que ziguezagueava pela calçada.


Fim


  



17 de abril de 2016

Vivaldi - " Verão " As Quatro Estações



Peço que preste atenção à composição de Vivaldi, aqui representada MARAVILHOSAMENTE pela  violinista Mari Samuelsen.

0:20 -  A languidez devido ao calor. / 1:32  -  O som do CUCO 

3:17 - O vento Borea da violinista  se contrapondo com os  ventos impetuosos dos demais violinos. 

4:OO - O choro do camponês /
 8:00 -  O trovão , seguido pela  tempestade de Verão.



O Verão

Sob a dura estação de sol aceso  
Definha homem, definha rebanho e arde o pinho;
Solta o cuco a voz, e logo com ele
Canta a rolinha e o pintassilgo.

Zéfiro doce expira mas, desafiado,
Surge Bóreas (*) de repente ao seu lado;
E chora o pastor, porque decerto
Teme feroz tempestade e seu destino.

Rouba dos membros cansados o seu repouso,
O temor dos relâmpagos e trovões ferozes
E de moscas e moscões o zumzum furioso.

Ah, que pena, seus temores eram verdadeiros!
Troveja e fulmina o céu e majestoso
Quebra o topo das espigas e danifica os grãos


Para acompanhar as marcações, sugiro o site : http://euterpe.blog.br/



11 de abril de 2016

Caixa do Correio # 16


1. Laços de Família – Clarice Lispector I 2. Elogio da Loucura – Erasmo de Rotterdam I 3. Morangos Mofados – Caio Fernando Abreu. I 4. 44 Cartas do Mundo Líquido Moderno – Zygmunt Bauman 


ETIQUETA:ZYGMUNT BAUMAN

O emérito sociólogo polonês Zygmunt Bauman nasceu no dia 19 de novembro de 1925, em Poznán. Ele principiou sua trajetória acadêmica na Universidade de Varsóvia, mas logo foi obrigado a deixar a academia, em 1968, ao mesmo tempo em que sua obra era proibida neste país.

Sem muitas perspectivas, o sociólogo abandonou sua pátria e partiu para a Inglaterra, depois de passar pelo Canadá, EUA e Austrália. No início da década de 70 ele assumiu o cargo de professor titular da Universidade de Leeds, permanecendo neste posto por pelo menos vinte anos. Aí ele teve contato com o intelectual que inspiraria profundamente seu pensamento, o filósofo islandês Ji Caze.

Grande parte de sua obra já foi traduzida no Brasil. Seus livros são povoados por idéias sobre as conexões sociais potenciais na sociedade contemporânea, nesta era comumente conhecida como pós-modernidade. Os estudos sociológicos lhe permitem refletir sobre a angústia que reina nos sentimentos humanos, emoção despertada pela pressa de encontrar o parceiro perfeito, sempre mantido como meta ideal, nunca como realidade concreta.

Assim, os casais procuram manter relacionamentos abertos, que lhes possibilitem uma porta de saída para novos encontros. A insatisfação está, portanto, constantemente presente na esfera da afetividade humana. As pessoas desejam interagir, buscam a vivência do afeto, mas não querem se comprometer. É o que Bauman chama de amor líquido, vivenciado em um universo marcado pelos laços fluidos, que não permanecem, não se estreitam, desobedecem à lei da gravidade, ou seja, à ausência de peso. O que provoca a famosa ‘insustentável leveza do ser’, preconizada pelo escritor tcheco Milan Kundera.

Bauman crê que os relacionamentos a dois não podem se desenrolar à parte da cena social, das regras do jogo estabelecidas pela sociedade global. Nada pode, segundo ele, fugir deste complexo panorama, do moderno fenômeno conhecido como globalização. Aliás, este autor é também famoso por suas agudas pesquisas sobre os vínculos entre os tempos modernos, o Holocausto e o frenético consumo da era pós-moderna.

Para o sociólogo, a fluidez dos vínculos, que marca a sociedade contemporânea, encontra-se inevitavelmente inserida nas próprias características da modernidade, discussão esta que está perfeitamente retratada nas primeiras obras do autor. É impossível fugir das consequências da globalização, com suas vertiginosas ondas de informação e de novas idéias. Tudo ocorre com intensa velocidade, o que também se reflete nas relações entre as pessoas.

No Brasil é possível encontrar pelo menos dezesseis de seus livros traduzidos para o português, todos pela Jorge Zahar Editor. Entre eles os principais são Amor Líquido, Globalização: as Conseqüências Humanas e Vidas Desperdiçadas. Em 1989 ele conquistou o prêmio Amalfi, por sua publicação Modernidade e Holocausto; em 1998, obteve a premiação Adorno, pela totalidade de sua obra. Hoje Bauman leciona nas Universidades de Leeds e de Varsóvia.

Fontes
http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=123
http://pt.wikipedia.org/wiki/Zygmunt_Bauman


9 de abril de 2016

Amor de tarde por Mario Benedetti ( Poesia)


Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cuatro
y acabo la planilla y pienso diez minutos
y estiro las piernas como todas las tardes
y hago así con los hombros para aflojar la espalda
y me doblo los dedos y les saco mentiras.

Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cinco
y soy una manija que calcula intereses
o dos manos que saltan sobre cuarenta teclas
o un oído que escucha como ladra el teléfono
o un tipo que hace números y les saca verdades.

Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las seis.
Podrías acercarte de sorpresa
y decirme "¿Qué tal?" y quedaríamos
yo con la mancha roja de tus labios
tú con el tizne azul de mi carbónico.



FIN

6 de abril de 2016

El hombre que aprendió a ladrar por Mário Benedetti ( Cuento )



Lo cierto es que fueron años de arduo y pragmático aprendizaje, con lapsos de desalineamiento en los que estuvo a punto de desistir. Pero al fin triunfó la perseverancia y Raimundo aprendió a ladrar. No a imitar ladridos, como suelen hacer algunos chistosos o que se creen tales, sino verdaderamente a ladrar. ¿Qué lo había impulsado a ese adiestramiento? Ante sus amigos se autoflagelaba con humor: "La verdad es que ladro por no llorar". Sin embargo, la razón más valedera era su amor casi franciscano hacia sus hermanos perros. Amor es comunicación.

¿Cómo amar entonces sin comunicarse?

Para Raimundo representó un día de gloria cuando su ladrido fue por fin comprendido por Leo, su hermano perro, y (algo más extraordinario aún) él comprendió el ladrido de Leo. A partir de ese día Raimundo y Leo se tendían, por lo general en los atardeceres, bajo la glorieta y dialogaban sobre temas generales. A pesar de su amor por los hermanos perros, Raimundo nunca había imaginado que Leo tuviera una tan sagaz visión del mundo.

Por fin, una tarde se animó a preguntarle, en varios sobrios ladridos: "Dime, Leo, con toda franqueza: ¿qué opinás de mi forma de ladrar?". La respuesta de Leo fue bastante escueta y sincera: "Yo diría que lo haces bastante bien, pero tendrás que mejorar. Cuando ladras, todavía se te nota el acento humano."



FIN


Em tempo : Jovem de Oslo diz que houve um problema genético no seu nascimento e que na verdade é um gato.