20 de dezembro de 2014

Sou um deserto que monologa... - Violette Leduc




O filme tem inicio com uma frase emblemática  de Violette Leduc :

 ” A feiura em uma mulher é um pecado mortal. Se você é linda, é olhada na rua pela sua beleza, se você é feia, é olhada na rua pela sua feiura.”


Foi assim, por acaso, entre filmes de ação e suspense que descobri Violette . ( O filme foi lançado no Brasil em agosto deste 2014 )

Sinopse  : No início dos anos XX, a escritora Violette Leduc (Emmanuelle Devos) encontra a filósofa Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain). Nasce entre as duas uma intensa amizade que dura toda a vida, ao passo que Simone encoraja Violette a escrever mais, expondo as suas dúvidas e medos, abordando todos os detalhes da intimidade feminina.

Mas quem foi  Violette ?

                         ETIQUETA : VIOLETTE LEDUC

"Maurice Sachs lhe ordena que escreva , Simone de Beauvoir a descobre em 1945, Albert Camus a publica no ano seguinte.Admirada por Cocteau, Genet, Jouhandeau e Sartre, Violette Leduc é uma das singulares figuras da literatura francesa do século XX." 

Se seus primeiros livros conquistaram um circulo de admiradores fervorosos, eles não conseguiram atingir o grande público. Durante vinte anos Violette Leduc foi " um deserto que monologa. "

No Brasil, infelizmente apenas dois livros da escritora foram traduzidos. A bastarda e Tereza e Isabel . Entrei  em um site Francês (  Adorocinema deles) para ler o que as pessoas achavam sobre o filme...Entendi,  que muitos não gostaram da forma que a escritora foi retratada...Me lembrou muita a decepção que tive com o filme do Tim Maia. ( Sou fã do cantor, e já tinha assistido ao documentário e sua biografia )

Enfim, se você também for  aspirante a escritor, talvez se interesse em saber mais  sobre a vida e obra de  Violette Leduc....

Em tempo : Acabei de fazer uma busca na estante virtual. Só existe disponível um único livro/exemplar de Violette Leduc, pela bagatela de R$ 160,00.

Site para consulta :  www.wagnercampelo.com/violetteleduc/



16 de dezembro de 2014

Te Quiero - Mario Benedetti




Tus manos son mi caricia 
mis acordes cotidianos 
te quiero porque tus manos 
trabajan por la justicia 

si te quiero es porque sos 
mi amor mi cómplice y todo 
y en la calle codo a codo 
somos mucho más que dos 

tus ojos son mi conjuro 
contra la mala jornada 
te quiero por tu mirada 
que mira y siembra futuro 

tu boca que es tuya y mía 
tu boca no se equivoca 
te quiero porque tu boca 
sabe gritar rebeldía 

si te quiero es porque sos 
mi amor mi cómplice y todo 
y en la calle codo a codo 
somos mucho más que dos 

y por tu rostro sincero 
y tu paso vagabundo 
y tu llanto por el mundo 
porque sos pueblo te quiero 

y porque amor no es aureola 
ni cándida moraleja 
y porque somos pareja 
que sabe que no está sola 

te quiero en mi paraíso 
es decir que en mi país 
la gente viva feliz 
aunque no tenga permiso 

si te quiero es porque sos 
mi amor mi cómplice y todo 
y en la calle codo a codo 
somos mucho más que dos.


15 de dezembro de 2014

Por que ler Mário Benedetti ?




Características de Estilo:

1) Alteração da  imagem do objeto através de hipérbole, personificação entre outras figuras literárias.


2) O uso da  linguagem coloquial ; Identificando-se com os seus leitores através deste meio.

3) Todos os poemas de  Benedetti tem algo a ver com a vida cotidiana, na forma que vivemos.

4) A crônica da rotina em todos os poemas de Benedetti se  dramatiza.

5) Os personagens são explícitos ou tácitos.

6) O humor em seus poemas pode criar antídoto para a angustia humana.

7) A maior parte do estereótipo de que ele usa é social e política. 

8) Os poemas contêm versos livres .

9) Sua poesia é suspeitosa, gosta de ter seus leitores atentos ao que acontece mais tarde em suas obras .

10) Benedetti está inclinado a escrever para a classe média. Isso ocorre porque , sendo a pessoa de classe média, está diretamente identificado com os seus leitores.

11)Gostava de Incluir  um pouco de humor em seus poemas , mas quando se trata disso, ele tenta ligar o cômico e patético à felicidade.


    12) Mario Benedetti gostava de se utilizar de imagens surrealistas. Isso lhe dava um toque original a seus poemas .


Estilo Língua:

·         Uso  da linguagem lírica . 
·         Uso da Linguagem  Heterodoxia que significa que inicia em segunda pessoa e finaliza  em primeira  pessoa. 
·         Uso da linguagem simples, coloquial e padrão. 

Tópicos:

·         Melancolia 
·         Pessimismo 
·         Repressão 
·         Política 
·         Condição humana 
·         Vida Cotidiana


    Tono :

·         Humorístico 
·         Malvado 
·         Filosófico 


Termino com um pedaço de seu poema " Triste o Buena ", que muito me encanta... 



"Amar sin nadie, vaya cosa triste, 
sin nada que abrazar, ni Eva que nos abrace, 
amar con alguien, vaya cosa buena"



11 de dezembro de 2014

ELEPHANT - GUS VAN SANT



Em primeiro lugar, é preciso esclarecer o título do filme. Uma inspiração crucial para Gus Van Sant foi o documentário homônimo feito por Alan Clarke em 1989, que se passa em período e local (Irlanda do Norte) diferentes, mas que também trata da violência entre os jovens através de uma narrativa picotada. Apesar de Clarke ter assim nomeado seu filme por julgar o problema abordado "tão facilmente ignorável quanto um elefante na sala de estar", Van Sant inicialmente achou que o título se referia a uma antiga parábola budista sobre um grupo de cegos examinando diferentes partes de um elefante. Nessa parábola, cada cego afirma convictamente que compreende a natureza do animal com base tão-somente na parte que lhe chega ao tato. Ninguém vê ou sente o objeto na sua totalidade, mas todos arriscam um palpite totalizante – e, naturalmente, equivocado. Mesmo após ter descoberto o verdadeiro motivo pelo qual o documentário de Alan Clarke se chama Elephant, Van Sant afirma que o seu filme, rodado numa high-school situada em Portland, tem mais a ver com a parábola dos cegos. 


O que Van Sant construiu em Elefante foi uma visão fragmentária e não conclusiva sobre a altamente complexa questão trazida à tona pelo episódio sangrento de Columbine. Consagrado por saber filmar os jovens sem deturpar seu universo, o diretor adotou um posicionamento inequívoco, aquele de onde se vê tudo e nada ao mesmo tempo: o olho do furacão, o epicentro do evento trágico. O filme cresce centripetamente, dos jovens retratados em direção ao mundo – oposto exato de Tiros em Columbine, por exemplo. Os atores de Elefante são os próprios alunos do colégio em que se passa, selecionados após uma série de entrevistas realizadas pela equipe do filme. Eles são filmados em atitudes cotidianas, às vezes preservando diálogos e situações presenciadas por Van Sant enquanto os conhecia e travava os primeiros contatos.


 O trabalho do diretor se caracteriza em grande parte por esse misto de respeito e admiração pelo universo dos jovens: foi assim com River Phoenix em My Own Private Idaho, foi assim ao filmar o roteiro de Matt Damon e Ben Affleck em Gênio Indomável. O próprioGerry, projeto experimental e exercício estético bastante ousado, onde já se nota extrema competência na confecção de atmosfera e no aproveitamento do potencial visual específico do ambiente, originou-se de conversas com os atores Casey Affleck e Matt Damon. Nasce sempre uma relação de proximidade desse encontro entre Van Sant e jovens atores/personagens.Em primeiro lugar, é preciso esclarecer o título do filme. Uma inspiração crucial para Gus Van Sant foi o documentário homônimo feito por Alan Clarke em 1989, que se passa em período e local (Irlanda do Norte) diferentes, mas que também trata da violência entre os jovens através de uma narrativa picotada. Apesar de Clarke ter assim nomeado seu filme por julgar o problema abordado "tão facilmente ignorável quanto um elefante na sala de estar", Van Sant inicialmente achou que o título se referia a uma antiga parábola budista sobre um grupo de cegos examinando diferentes partes de um elefante. Nessa parábola, cada cego afirma convictamente que compreende a natureza do animal com base tão-somente na parte que lhe chega ao tato. Ninguém vê ou sente o objeto na sua totalidade, mas todos arriscam um palpite totalizante – e, naturalmente, equivocado. Mesmo após ter descoberto o verdadeiro motivo pelo qual o documentário de Alan Clarke se chama Elephant, Van Sant afirma que o seu filme, rodado numa high-school situada em Portland, tem mais a ver com a parábola dos cegos. 

O que Van Sant construiu em Elefante foi uma visão fragmentária e não conclusiva sobre a altamente complexa questão trazida à tona pelo episódio sangrento de Columbine. Consagrado por saber filmar os jovens sem deturpar seu universo, o diretor adotou um posicionamento inequívoco, aquele de onde se vê tudo e nada ao mesmo tempo: o olho do furacão, o epicentro do evento trágico. O filme cresce centripetamente, dos jovens retratados em direção ao mundo – oposto exato de Tiros em Columbine, por exemplo. Os atores de Elefante são os próprios alunos do colégio em que se passa, selecionados após uma série de entrevistas realizadas pela equipe do filme. Eles são filmados em atitudes cotidianas, às vezes preservando diálogos e situações presenciadas por Van Sant enquanto os conhecia e travava os primeiros contatos. O trabalho do diretor se caracteriza em grande parte por esse misto de respeito e admiração pelo universo dos jovens: foi assim com River Phoenix em My Own Private Idaho, foi assim ao filmar o roteiro de Matt Damon e Ben Affleck em Gênio Indomável. O próprioGerry, projeto experimental e exercício estético bastante ousado, onde já se nota extrema competência na confecção de atmosfera e no aproveitamento do potencial visual específico do ambiente, originou-se de conversas com os atores Casey Affleck e Matt Damon. Nasce sempre uma relação de proximidade desse encontro entre Van Sant e jovens atores/personagens.


http://www.contracampo.com.br/58/elefante.htm

8 de dezembro de 2014

Documentário Elephant - Alan Clarke







O documentário Elephant (1989), trata dos problemas na Irlanda do Norte e conta com uma série de tiroteios com nenhuma narrativa e quase nenhum diálogo( Quase 40 minutos ) ; todos foram baseados em relatos de assassinatos sectários reais que ocorreram em Belfast. O filme levou o título da descrição de Bernard MacLaverty dos problemas como "o elefante na nossa sala de estar" - uma referência à negação coletiva dos problemas sociais subjacentes à Irlanda do Norte.




Segue o link , para quem se interessar : http://youtu.be/0cwvGeYjLjI

1 de dezembro de 2014

Os idiotas - Lars Von Trier






A história de um grupo de jovens que partilham um interesse idiota.( Fingem ter problemas mentais para conseguir regalias, se divertir e incomodar as pessoas ) Exploram e praticam ao máximo todos os contextos mais extravagantes que a sociedade descrimina. Todos os limites pessoais são ultrapassados, com este retrato de um cinema nu e cru. 

Este é o segundo filme produzido no âmbito da plataforma Dogma 95, fundada por Lars von trier e Thomas Vinterberg.

Deixo o link do filme para quem se interessar pela obra.

http://portacine.blogspot.com.br/2014/02/os-idiotas-1998-direcao-lars-von-trier.html

12 de setembro de 2014

A Invenção de Morel - Adolfo Bioy Casares


O livro se apresenta em forma de um diário de um perseguido político venezuelano que foge para uma ilha remota e misteriosa onde, em 1924, um milionário excêntrico construiu uma capela, um hotel-museu e uma piscina, hoje abandonados. A ilha é rodeada com a lenda de que fora abandonada, pois abrigava uma misteriosa moléstia que "mata de fora para dentro". Ele faz o uso de imagens durante toda a narrativa e seu caráter é bastante descritivo. O livro se inicia com uma breve descrição de como ele fora parar nesta ilha, das dificuldades que tem passado e com a explicação do por que está escrevendo. Alega que sua sobrevivência seria um verdadeiro milagre já que está vivendo sob condições muito adversas e que gostaria de deixar um testemunho desse milagre. Seguido disso, ele descreve o que tem na ilha e as pessoas que ali surgem: um estranho homem, uma mulher de aparência cigana por quem se apaixona perdidamente e se torna o centro de suas atenções e alguns outros habitantes sem tanta importância.

No decorrer da trama, o protagonista narra as dificuldades que tem passado, as doenças pelas quais é acometido, seus progressos e fracassos diante da tentativa de sobreviver nessa ilha como foragido. Seus relatos são não só factuais, mas também psicológicos, o que dá ao leitor a liberdade de interpretar se os acontecimentos absurdos são fruto de uma loucura adquirida nesses anos de fuga e solidão ou se são de fato reais. Nessa linha entre o real e o imaginário suposto, o foragido foca sua narrativa nos desconhecidos subitamente surgidos na ilha, em especial na moça pela qual anseia ter, Faustine. Eis que, quando o personagem decide finalmente entrar em contato com ela, deixando de lado qualquer prudência quanto a ter que prestar contas com a justiça por sua condenação, a trama se intensifica e a questão da loucura se torna cada vez mais presente na mente do leitor: a moça parece não percebê-lo. Por mais que ele faça de tudo para chamar sua atenção, tentando falar com ela e se expressar por gestos majestosos - ele planta um jardim inteiro com uma mensagem para ela -, ela ignora sua existência.

Morel, acompanhante de Faustine, é igualmente misterioso. O fugitivo analisa as conversas destes dois personagens, suas atitudes, e ainda assim não descobre se são amigos ou amantes. A dúvida o persegue. Não consegue determinar também o porquê de nenhum deles conseguir vê-lo. O foragido é completamente invisível aos olhos de qualquer pessoa da ilha, mas os animais ainda o sentem. Após alguns trechos da história, é descrita uma cena em que os personagens jantam no museu, e o protagonista os observa. Este é o clímax. Morel pára o jantar para dar a todos uma grande notícia. A notícia sobre sua invenção, uma máquina de eternizar o tempo. Diz a verdade sobre a ilha, sobre a semana em que ele e seus amigos haviam passado lá. Na realidade, já estavam todos mortos. A máquina destruía os corpos, enquanto montava projeções, sendo esta a tal moléstia que matava de “fora para dentro”. As imagens seriam projetadas nas paredes do museu e em todos os cenários da ilha, para sempre. O fugitivo então percebe, que tudo não passava de uma “mentira”. Faustine, sua amada, era uma espécie de fantasma, uma ilusão. Mesmo assim, decide que deveria passar o resto da eternidade ao seu lado. Submete-se ao processo de eternização, colocando a máquina para funcionar em si, ao filmar momentos em que está próximo de Faustine.
É possível compreender, a partir desta obra literária, a relação entre amor e imagem de forma mais esclarecida, uma vez que o livro trata de um caso de um amor por uma imagem insubstancial. Afinal, o amor não é sempre direcionado a uma imagem criada? Não há amor pelo real de fato, mas sim pelo imaginário, ou seja, uma ilusão que criamos e mantemos para amar a partir do real, que nos parece mais bela e adorável do que o objeto de amor em si. No livro, as projeções são imagens ao fugitivo – que é observador – e a imagem de amor que cria por Faustine é gerada por ele. O sentimento inicia-se no interior de alguém, e quando é exteriorizado, se transforma numa imagem. A imagem é justamente a pessoa amada, porém como ela é vista aos olhos do apaixonado. Ela é diferente perante seu olhar, apesar de continuar a mesma. No livro podemos juntar a imagem adquirida e a gerada no mesmo exemplo: Faustine. Pela sua existência ser uma projeção, ela e uma imagem, da forma mais literal que a palavra possa adquirir. O  amor do fugitivo por sua projeção, também passa a ser uma imagem, gerada a partir dele; o amor altera o jeito como ele a vê. A invenção de Morel é contemporâneo e possui uma validade universal, com um valor inegavelmente vitalício para avaliar o poder das representações e reproduções visuais

http://comunartes.blogspot.com.br/2013/01/a-invencao-de-morel-resenha.html

9 de agosto de 2014

Dicas para quem pretende escrever um livro por João Scortecci



Uma pergunta inevitável que um dia acaba acontecendo na vida de um escritor de sucesso, de um professor de literatura, de um crítico literário e na carreira de um editor de livros: Qual o segredo para escrever um bom livro?

Antes de pontuar dicas "pertinentes" obrigo-me a registrar o que me parece essencial e fundamental na vida de um autor: criatividade, talento e persistência. Sem sinergia e fusão destes três elementos não vejo qualquer possibilidade de sucesso e êxito.

Lygia Fagundes Telles quando nos fala sobre a arte de escrever inspira: “Rasgar, rasgar e rasgar. Eu rasguei muito.” Hoje, com o advento da ferramenta computador poderíamos dizer que o exercício de “Deletar, deletar e deletar...” explica com ciência e razão, aquilo que a dama da literatura brasileira nos ensina como segredo.

Vamos às dicas:

Ser um leitor. Um bom leitor. Um leitor voraz e criterioso. Se o objetivo é um romance concentre-se no gênero. Literatura brasileira e estrangeira, de autores conhecidos ou não. Faça buscas em sebos e bibliotecas, e você encontrará escritores que o aguardam. O livro chama! No exercício desta leitura observe com atenção o primeiro parágrafo, como cada escritor começa a sua aventura, o trejeito com que ele trabalha os primeiros diálogos, pontua um fato relevante, sustenta sua verdade e traça o fio condutor de sua história.

A entrada em cena de cada personagem – principal ou coadjuvante – precisa receber do autor sua carga inicial de energia. Quando o autor não o faz corretamente corre o risco de perder de cara o leitor. O encantamento tem que ser de imediato. Quando o personagem mostra a sua alma o leitor o adota com amor, ódio e respeito. Ele puxa e pede, de direito, o seu espaço na história. É comum em uma boa trama um personagem secundário ganhar fôlego e espaço, além do tempo planejado no roteiro inicial.

Ter uma boa história é fundamental. Concisa, objetiva, clara e única. Conversando um dia com Fernando Sabino - gravávamos um programa na TV Bandeirante - ele me disse: "Scortecci uma boa história é aquela que pode ser contada". Precisa ter começo, meio e fim. Simplicidade e harmonia no fio condutor evitando a todo custo ansiedade de concluir antes da hora. O inverso – exagero de se estender além da conta – também não é recomendado. Saber parar na hora certa é uma arte. Poucos conseguem “criar” o número exato de palavras. O ponto final deve ser "cometido" com sabedoria cirúrgica. Não existe um sino que toca ou um alarme que pisca.

Fazer um roteiro. Inicialmente simples e pontual. Em tópicos. Deixe os detalhes para depois quando um segundo roteiro – mais complexo – se fizer necessário. A escolha do número de personagens (não exagere) e seus respectivos nomes é tarefa delicada e que precisa ser feita com critérios. Alguns nomes têm mais força do que outros e ocupam na história “heranças” que podem influenciar no enredo. Evite nomes de modismo e fora de época. Faça uma pesquisa. Hoje a Internet é uma ferramenta poderosa de consulta e pode salvá-lo de muitas armadilhas.

Por falar em Internet, não nego a minha paixão por ela, mas recomendo cautela e desconfiança com tudo que ela diz e tenta nos ensinar. Todas as informações precisam ser checadas, pesquisadas e conferidas várias vezes. Datas, lugares e costumes são "sinais" que devem ser observados na hora de uma leitura crítica. O estrangeirismo é um perigo e costuma fazer estragos mortais.

Concluído o roteiro, monte o que chamamos de Rede de intrigas: amor, ódio, morte, casamento, assassinato, inveja, infidelidade, poder, ganância, ambição, gula, raiva, medo são ingredientes apetitosos que devem ser considerados na elaboração desta rede. Prender a atenção do leitor e mantê-lo ligado na sua história é missão - quase - impossível e o desafio maior. O leitor às vezes se torna preguiçoso e sua atenção voa para longe...Um leitor perdido não volta inteiro. Quando isso acontece não há nada mais o que fazer.

Evite chavões e plágio. Você até pode “babar” de leve uma passagem ou uma frase de efeito. A tentação acontece, e mente quem diz que não. Alguns parágrafos são perfeitos e a inveja literária costuma tirar o sono de muitos. Alguns títulos são eternos e maravilhosos. Valem o livro. Quem não gostaria de escrever: Cem Anos de Solidão; A Insustentável Leveza do Ser, Vidas Secas, Capitães da Areia, A Menina que Roubava Livros, Ciranda de Pedras etc.

Faça a opção por capítulos. Escolher ou não um título para o capítulo não é tão importante. O que pesa positivamente é a pausa. Trabalhar por capítulos é uma mão-na-roda. Havendo um desequilíbrio no texto – isso é comum acontecer – o leitor acaba não percebendo a falha. É no final de cada capítulo que o leitor toma a decisão de avançar - dando-lhe mais crédito - ou de desistir fatalmente.

Uma vez, jurado de um concurso literário no Paraná, fui surpreendido com uma interessante nota de rodapé que dizia: “Vai melhorar”. A máxima se repetia a cada página virada e lida. Incrível foi o rumo que dei à minha curiosidade ao extremo. O livro não era bom. O “infeliz” foi capaz de me imobilizar com uma boa chave de braço tirada de sua caixinha de intrigas. Será que vai mesmo melhorar? Li o livro de cabo a rabo.

O que faltou naquela obra? Faltou bagagem, conteúdo e experiência. Mesmo com criatividade, talento e domínio das palavras o romance não seduzia, não dava liga, não pegava! Um livro precisa abduzir leitores.

Depois de pronto é importante saber que o livro não está pronto. Ler e reler exaustivamente ajuda a criar – muita - repulsa pela obra. Isso é bom. Conheço autores que chegam ao ponto de quase suicídio. É hora então de procurar ajuda profissional. Independentemente de uma autopublicação ou edição comercial, através de uma editora tradicional, uma obra precisa de revisões e leitura crítica. Tudo isso antes de seguir o seu caminho natural de diagramação, edição, impressão, veiculação e comercialização.

A leitura da obra por um leitor crítico (o mercado possui uma boa carteira deles) costuma apontar aquilo que passou despercebido pelo autor. É espantoso descobrir erros do óbvio. “Nossa! Não posso acreditar que isso passou por mim...” É comum escutar depoimentos desse tipo, mesmo de escritores de renome, com dezenas de livros publicados.

O Professor Ézio Grassi Peluso dizia sempre: "Nós escritores precisamos aprender a conviver com o erro".

Escolhendo um título. Um parto para muitos. Para os que não encontram de saída um título “incrível”, costuma bater desespero. O medo de um editor desavisado batizá-lo com um título “ridículo e pobre”, tira o sono de muitos.  Recomendo escolher - quando possível - também um subtítulo para a obra.  Não existe um título perfeito e sim o melhor título possível (mercadologicamente falando) entre dois ou três previamente escolhidos. 

Uma vez fiz uma consulta nos arquivos da Fundação Biblioteca Nacional sobre a escolha preferida para títulos de livros de autores brasileiros. Na época o campeão era “Pedaços de Mim” e em segundo lugar “Lembranças”.  Que falta de imaginação. Eram livros de poesia, mesmo assim escolhas pífias.

Última dica. Terrível, mas oportuna: desistir não é nenhum pecado mortal. Muitos o fazem por infinitas razões, motivos e desculpas. Basta faltar na "receita" um dos três elementos essenciais (criatividade, talento e persistência)  que a gororoba desanda.

Alguns falam em falta de tempo, motivação e vergonha. Existe isso? Creio que não.

Gosto da ideia de que o melhor livro ainda não foi escrito. Isso por si justifica o sonho de muitos do desejo maior de escrever um livro, ter um filho e plantar uma árvore.

João Scorteccijrspscortecci@scortecci.com.br

http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=6585

4 de junho de 2014

Crônicas do Cotidiano - Eu, meus amigos e a praça.






Num tempo não muito distante, meus amigos e eu, gostávamos de sentar na praça em frente ao Bazar do seu Geraldo. Conversávamos sobre tudo. Mas principalmente sobre meninas, futebol, e vídeo game ...

Por vezes, com algumas moedas no bolso fazíamos vaquinha para comprar uma coca-cola de litro bem gelada, e dividida ali mesmo, em copos plásticos. Me lembro também " Do contra " ( Futebol de Rua ) com os meninos do outro bairro; Éramos um verdadeiro esquadrão ! O asfalto era riscado com pedra, para demarcar as dimensões do campo, os paralelepípedos ou chilenos faziam às vezes da trave, a calçada virava arquibancada  e os carros que volta e meia passavam, eram  juiz e bandeiras, prontos para atrapalhar um bom ataque.

Só me lembro de voltar para casa com o dia já escurecendo; quando minha mãe gritava do portão de casa que o jantar estava na mesa ou quando o seu Geraldo fechava o Bazar.

Então vieram as mídias sócias -  Orkut, Facebook , WhatsApp, instagram...etc.

No começo era até legal, pois você podia reencontrar uma série de  amigos e familiares que por algum motivo  ficaram no passado. Era uma tiração de sarro total ! Uns carecas, outros enamorados, tinham os  pais " frescos ", os pançudos, aqueles que se mudaram.

Enfim, era uma forma de mostrar que de um tempo a essa parte, as pessoas ainda tinham algum significado em nossas vidas. Pelo menos em alguma parte delas.

Então a vida na rede social começou a correr mais rápido do que o tempo. O que era novidade em um dia, passava a mero arquivo pessoal em questão de minutos ; como se fossem consumidas com prazo de validade. Fotos de academia, almoço, namorada, viagem e até foto de banheiro passaram a surgir do nada. Nem o simples ato de dormir, escapava.

Logo a vida real se apequenou diante das possibilidades do mundo virtual;supérflua e individualista.

A praçinha  hoje, anda vazia. O bazar do Seu Geraldo, que vivia apunhado de crianças com a venda de pipas, salgadinhos e bolas de gude não resistiu aos novos tempos.

Quando esbarro com algum amigo andando pelo bairro, sempre me questionam o motivo de eu ter sumido.

Talvez, por não ser eu muito ligado às redes sociais, ou por ainda continuar sentado na mesma praça, na esperança de que algum dia as coisas voltem ao normal.

Ah !Sabe o seu Geraldo ? Agora ele  virou - Seu Geraldo do Bazar.  E você pode encontrá-lo. Mas só no facebook.



24 de março de 2014

Saiu o resultado do Prêmio SESC de Literatura 2014



O Prêmio recebeu 456 inscritos. Nesta edição a comissão julgadora foi formada pelo escritor Ronaldo Bressane e pelo poeta Heitor Ferraz na categoria contos, e pela professora da UFMG, Eneida Martins de Souza, e pelo escritor Luis Rufatto, na categoria Romance. Em 2014 não houve Menção honrosa para categoria romance.

Grata surpresa  ao ver meu  original - 1979 ( Manhã de Sol Florida, Cheio de Coisas Maravilhosas/2016)  entre os finalistas. Estamos no caminho certo...rs




Romances Pré-Selecionados ( 33 ao todo )

Exílio Particular
Samuel Lima

Os Pescadores 
Pedro Veloso

Amores Mortais
Maria Fernanda Sparks

Achados e Perdidos na Estação do Centro 
Martin Arrievas

Desterro    
Graça Ramos 

O Cativeira das Brumas 
Pessôa dos Mattos

Bucentaurus Blues, uma fábula      
Abilio S. S. Jr

As Palavras-Escritas    
Nau dos Loucos

Contagem Regressiva    
Nina Aurora

Através da Fumaça Espessa    
Hermano

Cuide Bem do Meu Piano     
Marcelo Baptista 

O Mundo é Estranho Nessa Hora     
N.S.D.N.

Memórias Incongruentes     
Adalberto Peixoto 

1979    
A.Šeparović 

Arroz Queimado (Memórias de Minha Loucura)    
Almodóvar & Fellini 

O Tempo Corre Entre Nós   
Amarelinha

Tautologia - Tratados e Tratantes
Gabu

O Homem Que Veio de Açores
 Francisco de Orleans

Aquilo Que Não Cabe
Louis Leloup 

O Cheiro do Medo
Decaztro

O Outro Lado do Vidro 
M. Singer

A Medida das Palavras 
Sephora

Quase Jardins 
L. Lucas

Partituras
Rosa

Dez Ervas 
Orlando do Pina 

Labirinto Eterno 
Genoca 

Enquanto Deus Não Está Olhando 
Alice Dela Rocca

Caleidoscópio das Solidões Reticentes 
Oloo

O Asfalto e o Vento  
Bertholdo Silva 

Sarangravaia 
Lipa

Olhos de Cobra 
A Lei

Este Livro Não Existe
Camilo Leão 


Ausência
 
 Thomas Marcel  


10 de março de 2014

27 de fevereiro de 2014

Conselhos a um jovem escritor





Alguns conselhos do escritor Espanhol Cesar Mallorquí, para novos escritores que almejem seguir pela vida literária. 



Conselho  1 

Pergunta-te: Por que quero escrever ?  Quais são os verdadeiros motivos que te levam a escrever.

Conselho 2 

Terás que ler muito e escrever muito. Ler , porem com sentido analítico.

Conselho 3 

Tem que aprender a descartar. Aprendemos a escrever errando...Escreva, reescreva...

Conselho 4  

Copie bons escritores.Não se envergonhe em copiar escritores dos quais você admira . Não copie argumentos, personagens, mas os recursos que esse escritor utiliza, esses sim devem ser copiados.

Conselho 5 - Petit a Petit , l´oiseau fait son nid ( Pouco a pouco o pássaro fez o seu ninho.

Pouco a pouco você vai se tornar um grande escritor...Não deve tentar correr antes de aprender a caminhar , nem de voar antes de saber correr.

Conselho 6

Concentre-se  nas 3 colunas que sustentam quase todo os textos:


Claridade textual – Ordem -  Sensatez....se tiver essas 3 colunas, você certamente terá um estilo de escrita.

Conselho 7 ( Principal )

Corrija, Corrija outra vez, volte a corrigir e siga corrigindo...Quando finalizado o texto...saiba que a primeira versão com certeza será uma droga. Não se apresse. Deixe o texto descansar....Um dia , Uma semana , um mês .... corrija ....Sobretudo em voz alta

Conselho 8 

Ponha seu texto a prova ...Principalmente para aqueles que não te conhecem...

Conselho 9 

Perseverança e Constância ...Não acredite que vai se tornar um grande escritor com um primeiro livro, tampouco com um segundo...( Raras exceções  ) Ser escritor é uma profissão que leva tempo e principalmente constância nas escritas...


Conselho 10 

Prepara-se em aceitar que não é escritor . 


Contrario de tudo aquilo que foi dito anteriormente....O importante é desfrutar daquilo que se faz, desfrutar da arte. 


Não devemos complicar nossa existência neste mundo, em querer ser aquilo que não somos. 


Se não se  pode  ser escritor, se não se pode escrever, há outras 1.000 coisas que se pode fazer ...


A atividade mais importante que se pode dedicar uma pessoa, não é a arte , e sim a vida ....pois a arte não é mais que uma imitação da vida. Imitação maravilhosa, mas o mais importante é saber viver, o mais importante é se ter consciência da própria  existência. 



That´s all folks