6 de dezembro de 2012

A diferença entre baixa cultura e alta cultura



O que é Alta cultura ? ( High Brow )

Alta cultura é um termo que designa uma produção artística e intelectual que reuniria o melhor do que a humanidade já pensou ou criou no campo das artes
.Alta Cultura é conhecimento do mínimo e do máximo, a miscigenação entre reconhecer valores autênticos e os surreais. Acreditar que a arte está no olhar e no tato, aroma, paladar, som. Alta Cultura é uma fusão de estilos, atitudes com uma proposta multicultural e sofisticada.
Esta visão, entretanto, é criticada em profundidade por exemplo na obra do filósofo Theodor Adomo  Segundo este pensador a massificação de produtos culturais que dispensam um nível maior de educação para sua apreensão é um movimento próprio da industria cultural a serviço do consumismo, contribuindo para a passividade e a mediocrização intelectual, ainda que muitas vezes sob uma roupagem de multiculturalismo e sofisticação.
Cumpre assinalar que historicamente o termo alta cultura vem sendo empregado para designar os produtos do espírito humano que requerem um mínimo de instrução e apuro intelectual para seu mais pleno proveito cognitivo e estético, ainda que certas tendências ideológicas em voga pretendam negar este uso tradicional da expressão por qualificarem-na de elitista, conservadora e reacionária.



Como defini-las ? Afinal quem é o que é quem ?

Parece brincadeira, mas as confusões entre baixa cultura, ou low brow, e alta cultura, ou high brow, podem ser maiores que imagina nossa vã filosofia. Partindo para uma definição como Zico partia para o gol, estabeleçamos que alta cultura engloba todos os produtos artísticos que disseram algo fundamental a respeito da humanidade, e que por isso mesmo ultrapassaram a história e a geografia, constituindo-se em conhecimentos universais, com status de cânone cultural; parâmetros de qualidade, mas nem por isso, como veremos, inquestionáveis. Baixa cultura, nesse contexto, é a cultura popular no seu sentido mais fundamental, oriunda do povo na sua forma mais autêntica: é a música que a bandinha da cidade pequena toca no coreto da praça, nas tardes de domingo, composta nas horas vagas por bombeiros, pequenos comerciantes, sapateiros e professores, todos eles "artistas" não profissionais; é o samba batucado por pintores de parede em caixas de fósforo na hora do almoço para descolar um extra. Eventualmente, para atender a demanda maior, um sambista desses pode passar a uma produção mais seriada, talvez comprometendo a qualidade. E entre as duas, confundindo o meio de campo, fica a cultura média (middle brow), cujo principal, e talvez único mérito indiscutível, é ser um espelho de seu tempo.

A confusão nasce no modo como esses níveis culturais se interferem e se confundem, fazendo com que se diga muita besteira por aí. Por exemplo, é comum a busca nas raízes populares (low brow) por compositores clássicos (high brow) como Villa Lobos e Francisco Mignone quando querem renovar suas obras - na verdade, essa intervenção acontece sempre que as formas clássicas soam esgotadas, procurando renovação: Picasso inspirou-se em máscaras tribais africanas (low brow) para compor os rostos das Demoiselles d`Avignon (high brow); Guimarães Rosa ouviu o som dos sertanejos para reinventar o português no Grande Sertão. É próprio do caráter acadêmico da arte high brow - a única que se ensina nas escolas - não admitir grandes invenções formais, ficando presa ao paradoxo da tradição, que tem que mudar para permanecer como tal.

5 de dezembro de 2012

Palco da vida por Fernando Pessoa



Palco da vida – Fernando Pessoa        



Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. E você pode evitar que ela vá a falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você. Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.

Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar “eu errei”. É ter ousadia para dizer “me perdoe”. É ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer “eu te amo”.

É ter humildade da receptividade. Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz…


E, quando você errar o caminho, recomece.

Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.


Jamais desista de si mesmo.


Jamais desista das pessoas que você ama.


Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um obstáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.


“Pedras no caminho?


Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

Fernando Pessoa

18 de outubro de 2012

Viagem Literária - Bate papo com Ignácio de Loyola Brandão




Tivemos a honra, no dia de ontem ( 17.10.12) da presença do ilustríssimo escritor Ignácio de Loyola Brandão, na cidade de Suzano.

Foi um prazer inenarrável ! conhecer mais este escritor, que passei a admirar.


É claro que não podia deixar de pegar meu autógrafo - Livro Zero


Biografia do AUTOR 

Ignacio de Loyola Brandão (Araraquara, 31 de julho de 1936) é um contista, romancista e jornalista brasileiro.

Desde pequeno, Loyola sonhava conquistar o mundo com sua literatura; se não, pelo menos voltar vitorioso para sua cidade natal. Sua carreira começou em 1966 com o lançamento de Depois do Solo, livro de contos no qual o autor já se mostrava um observador curioso da vida na cidade grande, bem como de seus personagens. Trabalhou como editor da Revista Planeta entre 1972 e 1976.

Dono de um "realismo feroz", segundo Antonio Candido, seu romance Zero foi publicado inicialmente em tradução italiana. Quando saiu no Brasil, em 1975, foi proibido pela censura, que só o liberou em 1979.

Em 2008, o romance O Menino que Vendia Palavras, publicado pela editora Objetiva, ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano.



15 de outubro de 2012

E a Moral , onde fica ?




Conversava recentemente com um amigo e ele relatava sua insatisfação com um profissional que foi formado dentro de sua empresa, vindo do interior. Foram dados a ele treinamento, moradia, oportunidades e, o mais importante, a confiança. Depois de algum tempo, meu amigo descobriu que estava sendo roubado por ele.
Pensei então que estamos sempre envoltos por problemas desse tipo em todos os escalões da sociedade, no pobre e no rico, no interior e na capital... Escândalos de corrupção em todos os poderes, traição, roubos, etc..
Numa sociedade que tem os valores baseados em métricas financeiras, não poderia ser diferente. Medimos a felicidade pelo grau de riqueza, o mais rico é o mais feliz. O sucesso é medido pelo crescimento da conta bancária. Acaba que caímos em um jogo de topa tudo por dinheiro.
Palavras como gratidão, princípios, valores, bondade, virtudes, honra e amor foram simplesmente esquecidas ou, no mínimo, utilizadas com duplo sentido para estimular uma compra ou algo parecido.
O problema é moral! Enquanto os valores forem esses teremos gerações e mais gerações caminhando com esse objetivo: ser rico, ter sucesso... a qualquer preço.
Fico pensando então que as antigas sociedades, tidas inclusive como primitivas (egípcia, indiana, inca), provavelmente fossem muito mais profundas, ligadas ao divino, preenchidas de princípios e valores, do que a nossa sociedade.
Talvez nossa geração (anos 1960, 1970, 1980) não veja mais uma mudança significativa quanto a esse “objetivo” de vida, esse direcionamento, mas precisamos e podemos ser os protagonistas de uma nova sociedade, um novo ciclo há de iniciar. Ensinando a nossos filhos, essa geração do século XXI, novos valores. Resgatando a importância da formação para a vida, despertando as virtudes da bondade, da generosidade e da honra nessas sementes que plantamos. Mostrando a eles que a felicidade está muito mais próxima da paz interior do que do poder ou de métricas financeiras. O dinheiro poderá vir, e até virá, como consequência de um trabalho, mas não como fim.
A nova geração precisa de um maior contato com o que está além das aparências e do egoísmo, para ser reflexo desse plano mais elevado. Exemplos de grandes homens da humanidade como Sócrates, Confúcio, Madre Tereza de Calcutá, Mandela, Jesus Cristo e Luther King precisam ser resgatados, reverenciados e vividos em nosso dia a dia. Somente assim teremos uma nova sociedade, formada por homens de princípios e valores.


7 de outubro de 2012

Documentário Ilha das Flores


Gostaria de compartilhar com vocês , um documentário que me foi indicado, como parte do material de consulta, para minha próxima obra :  FOME





ILHA DAS FLORES

ROTEIRO ORIGINAL
Jorge Furtado, dezembro/1988

produção: Casa de Cinema de Porto Alegre

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FATOS

A Ilha das Flores está localizada à margem esquerda do Rio
Guaíba, a poucos quilômetros de Porto Alegre. Para lá é levada
grande parte do lixo produzido na capital. Este lixo é depositado
num terreno de propriedade de criadores de porcos. Logo que o
lixo é descarregado dos caminhões os empregados separam parte
dele para o consumo dos porcos. Durante este processo começam a
se formar filas de crianças e mulheres do lado de fora da cerca,
a espera da sobra do lixo, que utilizam para alimentação. Como as
filas são muito grandes, os empregados organizam grupos de dez
pessoas que, num tempo estipulado de cinco minutos, podem pegar o
que conseguirem do lixo. Acabado o tempo, este grupo é retirado
do local, dando lugar ao próximo grupo.

O FILME

A idéia do filme é mostrar o absurdo desta situação: seres
humanos que, numa escala de prioridade, se encontram depois dos
porcos. Mulheres e crianças que, num tempo determinado de cinco
minutos, garantem na sobra do alimento dos porcos sua alimentação
diária. Esta situação absurda será mostrada de uma forma absurda.
O filme será estruturado como um documentário científico, do tipo
"Wild Life". A câmera vai seguir um tomate, desde a sua plantação
até o consumo por uma criança da Ilha das Flores, passando pelo
supermercado e pela casa de uma consumidora. Todas as informações
do texto serão ilustradas, da maneira mais didática possível. A
narração será feita no padrão normal dos documentários, sem
qualquer tom caricato e sem emoções.

INFLUÊNCIAS

As principais influências deste filme são: a arte de
identificação, Kurt Vonnegut Jr., Meu Tio da América, as matérias
da RBS TV enviadas de Tramandaí, a Enciclopédia Conhecer e os
documentários "Wild Life". O público alvo, assim como o do disco
metálico de informações enviadas a Plutão pela NASA, são os seres
extraterrestres, se eles existirem. O texto de narração tem 185
linhas, 183 foram criadas pelo telencéflao altamente desenvolvido
do autor. Duas linhas são de Cecília Meireles.

22 de setembro de 2012

Saiba quem foi Chico Mendes




Principal líder dos seringueiros nas décadas de 70 e 80, Chico Mendes tornou-se referência mundial da luta contra o desmatamento da Amazônia.

Nasceu na vila de Porto Rico, na cidade de Xapuri (Acre), onde inaugurou um sindicato dos trabalhadores rurais. Mais tarde foi um dos fundadores do PT no Estado, partido do qual concorreu sem sucesso nas eleições de 1982 - Deputado e 1985  - Prefeito.

Ganhou projeção nacional e, posteriormente, mundial, ao unir diferentes povos, inclusive índios, em defesa da reforma agrária na região. À frente do sindicato dos seringueiros, envolveu-se em vários confrontos violentos com fazendeiros.

Após sucessivas ameaças de morte, foi assassinado com um tiro em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos, em Xapuri. Foram presos o fazendeiro Darci Alves Pereira e seu pai, Darly Alves da Silva, que fugiram da penitenciária em 1993. Três anos mais tarde eles foram recapturados pela Polícia Federal.

Depois da sua morte, o governo brasileiro (José Sarney era o presidente na época) sofreu pressões internacionais para coibir o desmatamento, as más condições de trabalho na região e preservar as reservas indígenas


" Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta. "
Chico Mendes

25 de agosto de 2012

O RISCO DE SE BEBER ÀGUA ENGARRAFADA



“ Enquanto a mídia e governantes ordenam que a massa economize água – um setor está de olho nos parcos recursos hídricos mundiais há décadas e está expandindo silenciosamente seus domínios para todos os aspectos da água. Sem qualquer preocupação a não ser com lucro exorbitante que colocam no bolso de seus acionistas. " 






13 de agosto de 2012

O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ FICA ELOGIANDO A INTELIGÊNCIA DE UMA CRIANÇA



Gabriel é um menino esperto.
Cresceu ouvindo isso.
Andou, leu e escreveu cedo.
Vai bem nos esportes.
É popular na escola e as provas confirmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.
“Esse menino é inteligente demais”, repetem orgulhosos os pais, parentes e professores. “Tudo é fácil pra esse malandrinho”.
Porém, ao contrário do que poderíamos esperar, essa consciência da própria inteligência não tem ajudado muito o Gabriel nas lições de casa.
- “Ah, eu não sou bom para soletrar, vou fazer o próximo exercício”.
Rapidamente Gabriel está aprendendo a dividir o mundo em coisas em que ele é bom, e coisas em que ele não é bom.
A estratégia (esperta, obviamente) é a base do comportamento humano: buscar prazer e evitar a dor. No caso, evitar e desmerecer as tarefas em que não é um sucesso e colocar toda a energia naquelas que já domina com facilidade.
Mas, como infelizmente a lição de casa precisa ser feita por inteiro, inclusive a soletração, de repente a auto-estima do pequeno Gabriel faz um… crack.
Acreditar cegamente na sua inteligência à prova de balas, provocou um efeito colateral inesperado: uma desconfiança de suas reais habilidades.
Inconscientemente ele se assusta com a possibilidade de ser uma fraude, e para protegê-lo dessa conclusão precipitada, seu cérebro cria uma medida evasiva de emergência: coloca o rótulo dourado no colo, subestima a importância do esforço e superestima a necessidade de ajuda dos pais.
A imagem do “Gabriel que faz tudo com facilidade” , a do “Gabriel inteligente” (misturada com carinho), precisa ser protegida de qualquer maneira.
Gabriel não está sozinho. São muitos os prodígios, vítimas de suas próprias habilidades de infância e dos bem intencionados e sinceros elogios dos adultos.
Nos últimos 10 anos foram publicados diversos estudos sobre os efeitos de elogios em crianças.
Um teste, realizado nos Estados Unidos com mais de 400 crianças da quinta série (Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success), desafiava meninos e meninas a fazer um quebra-cabeças, relativamente fácil.
Quando acabavam, alguns eram elogiados pela sua inteligência (“você foi bem esperto, hein!) e outros, pelo seu esforço (“puxa, você se empenhou pra valer hein!”).
Em uma segunda rodada, mais difícil, os alunos podiam escolher entre um novo desafio semelhante ou diferente.
A maioria dos que foram elogiados como “inteligentes” escolheu o desafio semelhante.
A maioria dos que foram elogiados como “esforçados” escolheu o desafio diferente.
Influenciados por apenas UMA frase.
O diagrama abaixo mostra bem as diferenças de mentalidade e o que pode acontecer na vida adulta.
O Malcom Gladwell tem um ótimo livro sobre a superestimação do talento, chamado “Fora de Série” (“outliers”). Lá aprendi sobre a lei das 10 mil horas, tempo necessário para se ficar bom em alguma coisa e que já ensinei pro meu filho.
Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga que ele é inteligente. Diga que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.
Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa.

Texto retirado do blog Updateordie.

10 de agosto de 2012

A METRÓPOLE E A VIDA MENTAL


Em seu texto, “A metrópole e a vida mental”, Georg Simmel afirma que os problemas mais graves da vida moderna nascem na tentativa do indivíduo de preservar sua autonomia e individualidade em face das esmagadoras forças sociais. Esta seria a mais recente transformação da luta do homem com a natureza para sua existência física. Segundo o autor, o século XVIII exigiu a especialização do homem e de seu trabalho, e conclamou que se libertasse de suas dependências históricas quanto ao Estado e à religião, à moral e a economia. Dentre todas essas posições, o homem resistiria a ser nivelado e uniformizado por mecanismos sócio-tecnológicos. O autor pergunta então, como a personalidade se acomoda no ajustamento às forças externas.

Segundo Simmel, há um profundo contraste entre a vida na cidade e a vida no campo. O autor afirma que a metrópole extrai do homem uma quantidade diferente de consciência, sendo que a vida da pequena cidade descansa mais sobre relacionamentos profundamente sentidos e emocionais, ou seja, o homem metropolitano reagiria com a cabeça em lugar do coração: “A reação aos fenômenos metropolitanos é transferida àquele órgão que é menos sensível e bastante afastado da zona mais profunda da personalidade. A intelectualidade, assim se destina a preservar a vida subjetiva contra o poder avassalador da vida metropolitana”.



Entende-se, dessa forma, que a pessoa intelectualmente sofisticada é indiferente a toda a individualidade genuína que resulta em relacionamentos e reações que não podem ser exauridos com operações lógicas. Essa razão que dá lugar às emoções é expressa no exercício de transformação de indivíduos em números, reduzindo assim toda qualidade e individualidade à questão: quanto? Este aspecto contrasta profundamente com a natureza da pequena cidade, em que o inevitável conhecimento da individualidade produz diferentes tons de comportamento que vão além do mero balanceamento objetivo de serviços e retribuição. A metrópole, em contraste, é provida quase que inteiramente pela produção para o mercado, ou seja, para compradores desconhecidos que nunca entram pessoalmente em contato com o produtor. Simmel ainda afirma que “através dessa anonimidade, os interesses de cada parte adquirem um caráter impiedosamente prosaico; e os egoísmos econômicos intelectualmente calculistas de ambas as partes não precisam temer qualquer falha devida aos imponderáveis das relações pessoais”. Esse caráter assumido pelas relações metropolitanas estaria intrinsecamente ligado à economia do dinheiro. Como exemplo dessa conjuntura Simmel cita um historiador inglês: “ao longo de todo o curso da história inglesa, Londres nunca funcionou como o coração da Inglaterra, mas frequentemente como seu intelecto e sempre como sua bolsa de dinheiro!”.
“A mente do homem moderno se tornou mais e mais calculista”, afirma o autor. A economia do dinheiro criou uma exatidão na vida prática – através da matematização da natureza – que nunca tanto se pesou, calculou, ou se reduziu tanto os valores qualitativos a valores quantitativos. Através da difusão dos relógios de bolso, desenvolveu-se um tamanho controle do tempo sobre os indivíduos, que seria impossível realizar os afazeres típicos dos homens metropolitanos sem essa mais estreita pontualidade. “Assim, a técnica da vida metropolitana é inimaginável sem a mais pontual integração de todas as atividades e relações mútuas em um calendário estável e impessoal”.
Todo esse controle, expresso pela pontualidade, calculabilidade e exatidão são introduzidos à força na vida pela complexidade e extensão da existência metropolitana. São instrumentos que favorecem a exclusão de traços e impulsos irracionais e instintivos que visam determinar o modo de vida de dentro, em lugar de receber a forma de vida geral vinda de fora. Dessa forma, Simmel torna possível entender o ódio de homens como Ruskin e Nietzsche pela metrópole, pois descobriram o valor da vida fora de esquemas, passando então, a odiar também a economia do dinheiro e o intelectualismo da existência moderna.
Dessa forma entende-se a atitude blasé de determinados indivíduos e em especial das crianças metropolitanas – quando apresentam comportamento indiferente em relação às novidades do mundo sempre que comparadas às crianças de meios mais tranquilos. Essa atitude, segundo Simmel, é um dos dois extremos do comportamento humano influenciado pela vida moderna, no qual a pessoa, em meio à economia do dinheiro e controle rígido do tempo, mergulha em sua própria subjetividade sem se envolver com o ambiente externo. Além disso, há que se ressaltar o distanciamento cada vez maior dos concidadãos, muitas vezes através de uma espécie de desconfiança excessiva e de uma atitude de reserva em face às superficialidades da vida metropolitana. Essa reserva seria o fator que, aos olhos de pessoas de cidades pequenas, nos faz parecer frios e até mesmo um pouco antipáticos.
Simmel ainda apresenta a idéia de metrópole como ilustração do princípio da união em grupos sociais (partidos políticos, governos etc.). Esses grupos, inicialmente pequenos e coesos, por natureza, necessitam de regras para se manterem, diminuindo assim as liberdades individuais. Com o crescimento do grupo, a tendência observada em todos os casos é das regras ficarem menos rígidas, dando uma maior liberdade aos indivíduos que compõem o grupo. A antiga polis é um exemplo que parece ter o próprio caráter de uma cidade pequena. Eram constantes as ameaças externas, fazendo com que se desenvolvesse uma estrita coerência quanto aos aspectos políticos e militares, uma supervisão de cidadão pelo cidadão, um ciúme do todo contra o individual, tendo, por fim, a vida individual suprimida. Segundo o autor “isto produziu uma atmosfera tensa, em que os indivíduos mais fracos eram suprimidos e aqueles de naturezas mais fortes eram incitados a pôr-se à prova de maneira mais apaixonada”.
Simmel ainda faz uma comparação interessante entre cultura objetiva, que seria a cultura ligada a objetos, coisas, conhecimento, instituições; e a cultura subjetiva, que estaria ligada ao indivíduo. Para o autor há uma diferença grande no ritmo de crescimento das duas culturas. Enquanto a objetiva cresceu grandemente, motivada pela divisão do trabalho e sua crescente especialização – como em “O trabalho alienado” de Karl Marx – a cultura subjetiva cresceu lentamente ou pode até mesmo ter regredido em certos pontos como ética, idealismo, etc. “Não é preciso mais do que apontar que a metrópole é o genuíno cenário dessa cultura que extravasa de toda vida pessoal”.
Referência: SIMMEL, Georg. A metrópole e a vida mental. In: VELHO, Otávio G. (Org.). O fenômeno urbano. Rio de Janeiro: Guanabara, 4a. ed., 1987.

14 de junho de 2012

A crise




"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é
a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise
traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da
noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as
grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar
"superado".

Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio
talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira
crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países
é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há
desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise
não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise
é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso,
trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a
tragédia de não querer lutar para superá-la"

Albert Einstein

28 de abril de 2012

Carta Gaya aos habitantes - Livro Amazônia 2050



O livro Amazônia 2050  tem como objetivo cardinal  alertar a raça humana da forma exagerada e consumista que estamos vivendo atualmente.  Estamos gerando um produto de tensão entre desenvolvimento e preservação do Meio Ambiente. Deixamos de buscar o  uso razoável dos recursos naturais da terra, da preservação das espécies e dos habitats naturais para nos transformarmos em  predadores vorazes. Devemos nos perguntar : Qual o legado que iremos deixar para as gerações futuras ? Em que mundo nossos filhos irão viver ? 

Diante de tantas catástrofes ambientais que vêm ocorrendo, como aquecimento global, alterações climáticas diversificadas, desaparecimento de espécies, e etc.. Conclui-se que não será dos melhores.

Estamos vivendo um paradigma . Precisamos estabelecer uma verdadeira mudança de conduta entre o planeta que habitamos e a nossas responsabilidades para com ele . Precisamos nos religar  a natureza e entender que aquilo que nós entendíamos  ser inesgotável não o é. Muitas de nossas ações diante da natureza já não tem mais volta.

Portanto, se quisermos deixar um Planeta com um Meio Ambiente ecologicamente equilibrado,  precisamos ter a humildade de reconhecer que o mais importante não é ter o domínio da realidade e sim estarmos em comunhão com ela.


30 de março de 2012

O homem não é racional, é rotineiro!


O PENSADOR


O Pensador (francês: Le Penseur) é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francêsAuguste Rodin. Retrata um homem em meditação soberba, lutando com uma poderosa força interna.
Originalmente chamado de O Poeta, a peça era parte de uma comissão do Museu de Arte Decorativa emParis para criar um portal monumental baseada na Divina Comédia, de Dante Alighieri. Cada uma das estátuas na peça representavam um dos personagens principais do poema épico. O Pensador originalmente procurava retratar Dante em frente dos Portões do Inferno, ponderando seu grande poema. A escultura está nua porque Rodin queria uma figura heroica à la Michelangelo para representar o pensamento assim como apoesia. 2
Rodin fez sua primeira versão por volta de 1880. A primeira estátua (O Pensador) em escala maior foi terminada em 1902, mas não foi apresentada ao público até 1904. Tornou-se propriedade da cidade de Paris graças a uma contribuição organizada pelos admiradores de Rodin e foi colocada em frente do Panteão em 1906. Em 1922, contudo, foi levada para o Hotel Biron, transformado no Musée Rodin. Mais de vinte cópias da escultura estão em museus em volta do mundo. Algumas destas cópias são versões ampliadas da obra original assim como as esculturas de diferentes proporções[1].
O Instituto Ricardo Brennand na cidade do Recife, Pernambuco, possui uma réplica autorizada da obra, exposta nos seus jardins

13 de março de 2012

Homenagem a TARSILA DO AMARAL



ANTROPOFAGIA

Em janeiro de 1928, Tarsila queria dar um presente de aniversário especial ao seu marido, Oswald de Andrade. Pintou o 'Abaporu'. Quando Oswald viu, ficou impressionado e disse que era o melhor quadro que Tarsila já havia feito. Chamou o amigo e escritor Raul Bopp, que também achou o quadro maravilhoso. Eles acharam que parecia uma figura indígena, antropófaga, e Tarsila lembrou-se do dicionário Tupi Guarani de seu pai. Batizou-se o quadro de Abaporu, que significa homem que come carne humana, o antropófago. E Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico. A figura do Abaporu simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura européia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem brasileiro.

Outros quadros desta fase Antropofágica são: 'Sol Poente', 'A Lua', 'Cartão Postal', 'O Lago', 'Antropofagia', etc. Nesta fase ela usou bichos e paisagens imaginárias, além das cores fortes.

A artista contou que o Abaporu era uma imagem do seu inconsciente, e tinha a ver com as estórias de monstros que comiam gente que as negras contavam para ela em sua infância. Em 1929 Tarsila fez sua primeira Exposição Individual no Brasil, e a crítica dividiu-se, pois ainda muitas pessoas ainda não entendiam sua arte.

Ainda neste ano de 1929, teve a crise da bolsa de Nova Iorque e a crise do café no Brasil, e assim a realidade de Tarsila mudou. Seu pai perdeu muito dinheiro, teve as fazendas hipotecadas e ela teve que trabalhar. Separou-se de Oswald.

SOCIAL E NEO PAU BRASIL

Em 1931, já com um novo namorado, o médico comunista Osório Cesar, Tarsila expôs em Moscou. Ela sensibilizou-se com a causa operária e foi presa por participar de reuniões no Partido Comunista Brasileiro com o namorado. Depois deste episódio, nunca mais se envolveu com política. Em 1933 pintou a tela 'Operários'. Desta fase Social, temos também a tela 'Segunda Classe'. A temática triste da fase social não fazia parte de sua personalidade e durou pouco em sua obra. Ela acabou com o namoro com Osório, e em meados dos anos 30, Tarsila uniu-se com o escritor Luís Martins, mais de vinte anos mais novo que ela. Ela trabalhou como colunista nos Diários Associados por muitos anos, do seu amigo Assis Chateaubriand. Em 1950, ela voltou com a temática do Pau Brasil e pintou quadros como 'Fazenda', 'Paisagem ou Aldeia' e 'Batizado de Macunaíma'. Em 1949, sua única neta Beatriz morreu afogada, tentando salvar uma amiga em um lago em Petrópolis.

Tarsila participou da I Bienal de São Paulo em 1951, teve sala especial na VII Bienal de São Paulo, e participou da Bienal de Veneza em 1964. Em 1969, a mestra em história da arte e curadora Aracy Amaral realizou a Exposição, 'Tarsila 50 anos de pintura'. Sua filha faleceu antes dela, em 1966.
Tarsila faleceu em janeiro de 1973.


11 de março de 2012

Imaginação e Inteligência






Aristóteles nos ensinou que a memória não trabalha diretamente com os dados sensíveis da realidade, e sim com os elementos que ficaram gravados na imaginação. Como a nossa mente usa os dados da memória para raciocinar, parece-me evidente que expandir a imaginação é o caminho mais adequado para aperfeiçoar a inteligência.


A seleção das impressões com que “alimentamos” a nossa imaginação é, portanto, uma das mais importantes tarefas, não apenas para quem pretende seguir uma carreira intelectual, mas também a todos humanos que desejam valorizar sua capacidade cognitiva.


Expandir a imaginação significa conhecer mais e mais possibilidades humanas, significa preparar o intelecto para a realidade. Nesta lógica, a quantidade e, principalmente, a qualidade das histórias que ouvimos, lemos ou vemos são fatores fundamentais.  Não é por outro motivo que desde a Antiguidade a literatura, o teatro e a tradição oral foram tão apreciados por todos os sábios.