26 de fevereiro de 2015

24 de fevereiro de 2015

Cuando éramos niños - Mario Benedetti




Cuando éramos niños

los viejos tenían como treinta
un charco era un océano
la muerte lisa y llana
no existía.

luego cuando muchachos
los viejos eran gente de cuarenta
un estanque era un océano
la muerte solamente
una palabra

ya cuando nos casamos
los ancianos estaban en los cincuenta
un lago era un océano
la muerte era la muerte
de los otros.

ahora veteranos
ya le dimos alcance a la verdad
el océano es por fin el océano
pero la muerte empieza a ser
la nuestra.


19 de fevereiro de 2015

Alejandra Pizarnik: una poética del yo al yo



Alejandra Pizarnik (1936-1972) nasceu em Buenos Aires, Argentina, e é considerada uma das principais vozes da poesia argentina, unindo um lado lírico a outro surrealista. A poesia da poeta contempla o instante ainda enquanto abstracção do tempo, enquanto medo fraco de energia, olhos que se ausentam para não ver os pormenores da abdicação, o caminho para uma casa onde não se quer estar. O seu mundo poético é, dentro da substância que o move, um mundo em convulsão, uma convulsão esteticamente a fim da sensibilidade, das sensações que se elevam a outras, de modo a tocarem as dúvidas da existência, quando não o lado científico das coisas.

Debute como pintora
 Em Alejandra Pizarnik há por vezes um cantar do silêncio, da depressão das pequenas consequências do dia-a-dia, do lado externo dos fundamentos da fé. Esta quebra de fé está muito presente na sua poesia, um sofrimento atroz que os poemas eivam de simbolismo, de surreal, havendo, com o auxílio deste último aspecto, uma espécie de ordem da angústia, uma arrumação das emoções, sempre uma última página da razão que impede a catástrofe. Alejandra Pizarnik faleceu em 1972 em consequência de uma profunda depressão.


" Tantas criaturas en mi sed y en mi vaso vacío "



EL SURREALISMO EN ALEJANDRA PIZARNIK

Alejandra Pizarnik admira  autores surrealistas como André Breton, Antonin Artaud ou Julio Cortázar; as pegadas que testemunham esta predileção, podem ser  reconhecidos tanto entre seus versos como entre às páginas de seus diários: " Euforia ao ler o conto de Julio, pensei na possibilidade de uma linguagem que admite o que sinto e sofro. Será que me equivoquei ? O que é necessário para levar-me a essa conclusão ? Menos medo"; " Se aproxima do que desejo escrever, se bem que  gostaria, como Artaud, escrever sobre a dissonância com a maior beleza possível."


 Esta circunstancia obriga a iniciar o estudo de estilo de Alejandra Pizarnik com uma necessária nota acerca de sua possibilidade de adesão ao movimento  surrealista, corrente cujo perfil responde a uma forma de ser, más que um conglomerado de ideias e tentativas formais. Por exemplo, uma reconhecida definição desta tendencia, nota-se que o surrealismo é "automatismo psíquico puro, mediante ao que se propõe expressar, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outro modo, o funcionamento real do pensamento, em ausência de todo controle exercido pela razão, alheio à toda preocupação estética ou moral". Havia que chegar a este ponto ao certeiro esclarecimento que Julio Cortázar brinda em um artigo escrito pelo motivo da morte de Antonin Artaud: ( Tradução livre: Alécio Faria )

* Somente o livro Condessa Sangrenta foi traduzido e comercializado no Brasil ( Ed. Tordesilhas )


A JAULA

Lá fora faz sol.
Não é mais que um sol
mas os homens olham-no
e depois cantam.

Eu não sei do sol.
Sei a melodia do anjo
e o sermão quente
do último vento.
Sei gritar até a aurora
quando a morte pousa nua
em minha sombra.

Choro debaixo do meu nome.
Aceno lenços na noite
e barcos sedentos de realidade
dançam comigo.
Oculto cravos
para escarnecer meus sonhos enfermos.

Lá fora faz sol.
Eu me visto de cinzas.


LA JAULA

Afuera hay sol.
No es más que un sol
pero los hombres lo miran
y después cantan.

Yo no sé del sol.
Yo sé la melodía del ángel
y el sermón caliente
del último viento.
Sé gritar hasta el alba
cuando la muerte se posa desnuda
en mi sombra.

Yo lloro debajo de mi nombre.
Yo agito pañuelos en la noche y barcos sedientos de realidad
bailan conmigo.
Yo oculto clavos
para escarnecer a mis sueños enfermos.

Afuera hay sol.
Yo me visto de cenizas.


Alejandra Pizarnik

8 de fevereiro de 2015

Caixa do Correio # 02





1. Crazy Heart - Thomas Cobb ( Aquele livro que vc compra pelo filme e pelo ator - Jeff Bridges )


                         *


2. O Mestre e MargarIda-  Mikhail Bulgákov  




 
                                                    



                             ETIQUETA: MIKHAIL BULGÁKOV


 O livro Os Versos Satânicos, de Salman Rushdie, tem clara e confessa influência de Bulgákov; a letra da canção Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones, foi escrita logo após Mick Jagger ter lido o livro, assim como Pilate, do Pearl Jam, e Love and Destroy da Franz Ferdinand, a qual é baseada no voo de Margarida sobre Moscou. Mas nem só a literatura e o rock, que não viveu para ouvir, homenageia Bulgákov: o compositor alemão York Höller compôs a ópera Der Meister und Margarita, que foi apresentada em 1989 na ópera de Paris e lançada em CD em 2000.


Em vida, tudo que o ucraniano Bulgákov (1891-1940) desejava era sair de Moscou e da União Soviética. Escreveu mais de uma centena de cartas a Stálin, justificando-se e pedindo permissão para deixar o país. Afinal, se tudo o que escrevia era proibido, era um inútil para a URSS. Tanto escreveu cartas que acabou recebendo um telefonema do próprio Stálin: este lhe oferecia um emprego num teatro, para o qual deveria escrever pecinhas tranquilas com seu indiscutível talento — e Stálin sabia reconhecer quem o tinha —  e referendava o “desejo” de não ver o escritor fora do país. E Bulgákov sobreviveu escrevendo umas poucas peças de sucesso para o teatro, além de adaptar para o palcoDom Quixote e Almas Mortas.
Ele começou a escrever o romance em 1928. Em 1930, o primeiro manuscrito foi queimado pelo autor após ver censurada outra novela de sua autoria. O trabalho foi recomeçado em 1931 e finalizado em 1936. Sem perspectiva alguma de publicação, Bulgákov dedicou-se a revisar e revisar. Veio uma nova versão em 1937 e ainda outra em 1940, ano de sua morte. Na época, só sua mulher e amigos sabiam da existência do romance.
Uma versão modificada e com cortes da censura foi publicada na revista Moscou entre 1966 e 1967, enquanto o Samizdat publicava a versão integral. Em livro, a URSS só pôde ler a versão integral em 1973 e, em 1989, a pesquisadora Lidiya Yanovskaya fez uma nova versão — a que lemos atualmente — baseada em manuscritos do autor. A vida era assim na URSS.

4 de fevereiro de 2015

Comercial Uruguaio - Azucarlito


    

    Você consegue ler o " Slogan " na embalagem de açúcar ?


" La Dulzura puede Cambiar el Mundo ".  


Não é uma belezura de frase ? Agora assista ao comercial .   







Mario Benedetti, sentiria-se orgulho se ainda estivesse vivo.