30 de setembro de 2016

Ustedes y Nosotros por Mário Benedetti ( Poema )




Ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual
ustedes cuando aman
calculan interés
y cuando se desaman
calculan otra vez
nosotros cuando amamos
es como renacer
y si nos desamamos
no la pasamos bien
ustedes cuando aman
son de otra magnitud
hay fotos chismes prensa
y el amor es un boom
nosotros cuando amamos
es un amor común
tan simple y tan sabroso
como tener salud
ustedes cuando aman
consultan el reloj
porque el tiempo que pierden
vale medio millón
nosotros cuando amamos
sin prisa y con fervor
gozamos y nos vale
barata la función (…)
ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual.


27 de setembro de 2016

Caixa do Correio # 19 - Especial ( Livro Tirza )




 SINOPSE

Jörgen Hofmeester tinha uma vida perfeita: uma esposa atraente, uma casa com jardim em um bairro nobre de Amsterdã, uma carreira prestigiosa como editor de livros de ficção estrangeira, duas filhas lindas, Ibi e Tirza, e uma conta-corrente na Suíça. Uma vida burguesa, sossegada, que acaba sendo subvertida por uma série de eventos dramáticos: Ibi, pouco mais que uma menina, é flagrada em situação constrangedora com o inquilino de Jörgen e, depois desse episódio, resolve ir embora para sempre da casa do pai; a esposa de Hofmeester abandona a família em busca de “autorrealização”; a editora, em decisão unilateral, o aposenta antecipadamente; Tirza, a caçula e filha predileta, objeto da obsessão paterna, quando conclui os estudos, parte para uma longa viagem pela África com o namorado marroquino, que guarda inquietante semelhança com Mohammed Atta. A narrativa começa com Hofmeester preparando meticulosamente sushis para a festa de formatura e despedida de Tirza. Por trás do aparente autocontrole de Hofmeester e de seu desprezo por qualquer emoção, há uma violência reprimida, uma tensão constante, uma ameaça invisível, elementos que dominarão a trajetória do protagonista até o imprevisto e desconcertante final. 

Tirza é, ao mesmo tempo, um romance assustador e fascinante, divertido e sinistro, a história de um homem em desesperada, embora inútil, busca por salvação.


( FOTO : Meu velho com o escritor Aron, durante o Festival Tarrafa Literária em Santos )



23 de setembro de 2016

Te Espero por Mario Benedetti ( Poema )




Te espero cuando la noche se haga día,
suspiros de esperanzas ya perdidas.
No creo que vengas, lo sé,
sé que no vendrás.
Sé que la distancia te hiere,
sé que las noches son más frías,
Sé que ya no estás.
Creo saber todo de ti.
Sé que el día de pronto se te hace noche:
sé que sueñas con mi amor, pero no lo dices,
sé que soy un idiota al esperarte,
Pues sé que no vendrás.

Te espero cuando miremos al cielo de noche:
tu allá, yo aquí, añorando aquellos días
en los que un beso marcó la despedida,
Quizás por el resto de nuestras vidas.
Es triste hablar así.
Cuando el día se me hace de noche,
Y la Luna oculta ese sol tan radiante.
Me siento sólo, lo sé,
nunca supe de nada tanto en mi vida,
solo sé que me encuentro muy sólo,
y que no estoy allí.
Mis disculpas por sentir así,
nunca mi intención ha sido ofenderte.
Nunca soñé con quererte,
ni con sentirme así.
Mi aire se acaba como agua en el desierto.
Mi vida se acorta pues no te llevo dentro.
Mi esperanza de vivir eres tu,
y no estoy allí.
¿Por qué no estoy allí?, te preguntarás,
¿Por qué no he tomado ese bus que me llevaría a ti?
Porque el mundo que llevo aquí no me permite estar allí.
Porque todas las noches me torturo pensando en ti.
¿Por qué no solo me olvido de ti?
¿Por qué no vivo solo así?
¿Por qué no solo....




21 de setembro de 2016

Manhã de Sol...Canal da Andra





Meu livro recebeu mais uma resenha,  agora no Canal da Andra. 

https://youtu.be/xmhpGin-tPY 

Muito em breve, teremos novidades...o original está passando por revisão ortográfica, de conteúdo e ganhando uma capa [ decente ] para publicação impressa.





15 de setembro de 2016

10 de setembro de 2016

Porque hoje é sábado, minha dica de filme: Dias de Pesca de Carlos Sorin




Dias de pesca ( Filha Distante no Brasil ) é um filme de iminente reparação, uma fuga de um ciclo dos dias repetentes e previsíveis – o mesmo trabalho de 20 anos - atrás da emenda que dá sentido a perdas profundas e conseqüentes correções. Marcos (Alejandro Awada) é um senhor de 52 anos que vai à Patagônia em busca de “sua filha, aprender a pescar e um pouquinho de turismo”. Da tesoura que fissura o elo familiar não temos conhecimento; apenas sabemos que o pai fez algo de errado com a mãe. Da pesca, a princípio, nem mesmo Marcos sabe o porquê; sabe que tinha que arranjar um hobby qualquer por questões médicas. Do turismo, fica implícita a abertura com o que aquele espaço possa oferecê-lo – e, nesse sentido, a Patagônia é hospitaleira.
Assim, Marcos incorpora a figura do estrangeiro, mas não como a projetada por Camus, que, pela abstração de sentido no mundo, torná-lo-ia indiferente. Para Marcos,  o sentido está “lá” (esse “lá” de David Grossman - inominável e inalcançável, mas esperançoso quanto à tangibilidade), a partir da estrada, a partir do outro. São os afetos que se esbarram e se esvaem. É o pai da lutadora de boxe, é seu “instrutor” de pesca, são os próprios eternos-viajantes (não poderia ser mais literal na representação da geração) que ele encontra entre grandes pedras do mar. Mas... ali, existe uma certa ironia na cena, de uma crença quase mística nessa afecção comovida por um espaço e que nunca se instaura por completo. É tão efêmero que nem se sabe se é de lá da Bolívia ou se fica no Peru. 

É aí também que se revela o abismo entre gerações, a impossibilidade de Marcos entrar nessa roda. Porque nessa roda só fuma quem tem um horizonte à frente e o infindo atrás. Há de se largar quaisquer amarras. Marcos tem uma filha, tem um telos,e por isso mesmo vai tratar de sua reparação. Ela a princípio o abriga, o acolhe, o abraça em seu mundo externo à Patagônia (seriam espaços irreconciliáveis?) mas, do nada, vislumbra a possibilidade de sofrer como a mãe e o manda às favas. 


Passada a tentativa de “turismo”, recusado pela filha, resta a pesca. E o enjôo do mar mais uma vez pede a persistência de ação, uma vontade duradoura que sublime. Com a chance de investigar o amor, obter a prova de um mínimo de afeto pela permanência no hospital, recebe a notícia que queria da filha e percebe a recompensa de lutar. Esse resumo final, que define em palavras um pouco do caminho de Marcos, mostra o potencial brega do roteiro que não é incorporado ao filme. Dias de pesca filma todos os planos com muita brandura, em alguns momentos tira um riso de canto de boca que ressoa na sessão, mas no geral o tom é em uníssono por essa chave menor. Uma nota que foge da pretensa lei musical da melancolia, buscando essas candura cônscia de si. 


Afinal, o que vemos nada mais é do que um senhor com toda sua bagagem de vida, deixando-a de lado para alcançar uma possível reconciliação com seu entorno, do pouco velho a se retomar ao novo mar à frente. Mas, desse tubarão a se pescar, dever-se-ia saber que é preciso mão firme ao molinete. Dias de Pesca é um filme doce, que de tão suave, se torna brando, se esvai o sabor. E cação sem sal raramente vale a pesca.

Outro excelente filme de Sorin é - O cachorro. 

Dados do site - revista cinética. 


8 de setembro de 2016

Caso de Chá, por Carlos Drummond de Andrade ( Conto )


A casa da velha senhora fica na encosta do morro, tão bem situada que ali se aprecia o bairro inteiro, e o mar é uma de suas riquezas visuais. Mas o terreno em volta da casa vive ao abandono. O jardineiro despediu-se há tempos; hortelão, não se encontra nem por milagre. A velha moradora resigna-se a ver crescer a tiririca na propriedade que antes era um brinco. Até cobra começou a passear entre a folhagem, com indolência; é uma cobrinha de nada, mas sempre assusta.

O verdureiro que faz ponto na rua lá embaixo ofereceu-se para matá-la. A boa senhora reluta, mas não pode viver com uma cobra tomando banho de sol junto ao portão, e a bicha é liquidada a pau. Bom rapaz, o verdureiro, cheio de atenções para com os fregueses. Na ocasião, um problema o preocupa: não tem onde guardar à noite a carrocinha de verduras.

– Ora, o senhor pode guardar aqui em casa. Lugar não falta. – Muito agradecido, mas vai incomodar a madame.

– Incomoda não, meu filho.

A carrocinha passa a ser recolhida nos fundos do terreno. Todas as manhãs o dono vem retirá-la, trazendo legumes frescos para a gentil senhora. Cobra-lhe menos e até não cobra nada. Bons amigos.

– Madame gosta de chá?
– Não posso tomar, me dá dispepsia, me põe nervosa.
– Pois eu sou doido por chá. Mas está tão caro que nem tenho coragem de comprar. Posso fazer um pedido? Quem sabe se a madame, com esse terreno todo sem aproveitar, não me deixa plantar uns pés, pouquinha coisa, só para o meu consumo?

Claro que deixa.Em poucas horas o quintal é capinado, tudo ganha outro aspecto. Mão boa é a desse moço: o que ele planta é viço imediato. A pequenina cultura de chá torna alegre outra vez a terra abandonada. Não faz mal que a plantação se vá estendendo por toda a área. A velha senhora sente prazer em ajudar o bom lavrador. Alegando que precisa fazer exercício, caminhando com cautela pois enxerga mal, ela rega as plantinhas, que lhe agradecem a atenção prosperando rapidamente.

– Madame sabe: minha intenção era colher só uma pequena quantidade. Mas o chá saiu tão bom que os parentes vivem me pedindo um pouco e eu não vou negar a eles. É pena madame não experimentar. Mas não aconselho: se faz mal, não deve mesmo tocar neste chá. O filho da velha senhora chegou da Europa esta noite. Lá ficou anos estudando. Achou a mãe lépida, bem disposta.
– E eu trabalho, sabe, meu querido? Todos os dias rego a plantação de chá que um moço me pediu licença para fazer no quintal. Amanhã de manhã você vai ver a beleza que está.

O verdureiro já havia saído com a carrocinha. A senhora estende o braço, mostra com orgulho a lavoura que, pelo esforço em comum, é também um pouco sua. O filho quase caiu duro:

– A senhora está maluca? Isso nunca foi chá, nem aqui nem na Índia. Isso é maconha, mamãe!

 Fim