28 de fevereiro de 2016

A CAÇA - O filme



O dinamarquês Thomas Vinterberg  um dos criadores do movimento Dogma 95, retorna ao tema de seu primeiro filme, Festa de Família (1998)

É o melhor filme do diretor desde seu elogiado debute e, apesar da palavra "pedófilo" estar presente em ambas as sinopses, o tema é tratado de forma muito diferente 14 anos depois. Vinterberg deixa de lado o humor negro satírico do original para realizar um filme sutil, centrado e emocionalmente contido.
Na trama, um professor de jardim da infância (Mads Mikkelsen) é adorado pela população da pequena cidade em que vive. Participa dos grupos de caça (uma tradição local), é apoiado durante seu divórcio e tem amigos leais. Mas quando Klara (Annika Wedderkopp), uma menina de 6 anos, filha de seu melhor amigo, confunde seus sentimentos pelo professor e tenta beijar-lhe, o homem pacientemente explica que isso só se faz entre "mamães e papais" e que ela deveria dar atenção aos meninos de sua idade. Mas Klara, confusa, resolve repetir à diretora da escolinha uma frase que ouviu dos irmãos - algo que coloca a cidade inteira contra o professor, que é acusado gravemente de ter abusado sexualmente da menininha.
Para mais informações sobre filme, eu recomendo o site Adoro Cinema, link abaixo.
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-206432/


26 de fevereiro de 2016

+10 frases de amor de Mario Benedetti


Yo amo, tú amas, él ama, nosotros amamos, vosotros amáis, ellos aman. Ojalá no fuese conjugación sino realidad.

Qué buen insomnio si me desvelo sobre tu cuerpo.

Si el corazón se aburre de querer para qué sirve.

Cinco minutos bastan para soñar toda una vida, así de relativo es el tiempo.

Me gustaría mirar todo de lejos pero contigo.

¿Cuál es el secreto para un largo amor? El diálogo entre las diferencias.

Me gusta la gente capaz de entender que el mayor error del ser humano es intentar sacarse de la cabeza aquello que no sale del corazón

No sé tu nombre, solo sé la mirada con que me lo dices.

Sé que voy a quererte sin preguntas, sé que vas a quererme sin respuestas.

No te rindas, por favor no cedas, aunque el frío queme, aunque el miedo muerda, aunque el sol se esconda, y se calle el viento, aún hay fuego en tu alma, aún hay vida en tus sueños. Porque la vida es tuya y tuyo también el deseo, porque cada día es un comienzo nuevo, porque esta es la hora y el mejor momento.


23 de fevereiro de 2016

16 de fevereiro de 2016

Crônicas do Cotidiano - Eu, Kid Vinil e o Elevador


Encontrei o Kid Vinil no elevador. Morávamos no mesmo prédio, e eu estava voltando da faculdade.
Cumprimentei-o e me posicionei ao fundo do elevador.Putz...O ícone do punk rock dos anos 80, estava ali, na minha frente. Precisa falar alguma coisa, puxar conversar...sei lá.
Revelei ser seu fã, ter crescido ouvindo suas músicas. Ele me agradeceu, mostrando um sorriso meio contido.( por certo, ouvia isso a todo tempo. Que original ! ) Como é difícil estar próximo de uma pessoa famosa, sem parecer tosco.
Como fã, precisa dizer alguma coisa única. Mas o que ? Foi aí, que eu assumi meu lado mais obscuro - cantei uma de suas músicas. Ele empalideceu, fez caretas, me olhou com espanto. Temi estar fora do tom, de  ter errado a letra.... E se eu  cantasse outra música ? Uma outra qualquer... Não deu tempo, o elevador parou, e o  ídolo do rock dos anos 80, se esvaneceu por uma daquelas portas.
Dentro do meu apartamento,  com um olhar desapontado por ter sido tão tosco, iniciei um breve diálogo com minha namorada.
- Encontrei o Kid Vinil no elevador.
- Sério ? Você falou com ele ?
- Não consegui... Mas cantei uma de suas músicas.
- Qual?
- “Troque seu cachorro por uma criança pobre.”

- Mas essa música é do Eduardo Dussek!






12 de fevereiro de 2016

10 de fevereiro de 2016

Nada fue en vano, NTVG




"Hay que saber aceptar que existen los días magros, 

Porque son el contrapeso de los que traen milagros.

Ahora yo disfruto el verme parado, 

Es solo porque supe soportar estar arrodillado "


7 de fevereiro de 2016

Caixa do Correio # 13


1. Sêneca e o Estoicismo - Paul Veyne I 2. A Paixão Segundo G.H. - Clarice Lispector

                   ETIQUETA:CLARICE LISPECTOR
“Meus livros felizmente não são superlotados de fatos, e sim da repercussão dos fatos no indivíduo”, afirmou a escritora, que em muitas ocasiões mostrou seu desprezo por acontecimentos. “Sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável”. "Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal”. - Clarice Lispector
Casa em que Clarice Lispector morou na infância fica ao redor da praça Maciel Pinheiro, onde há uma estátua da escritora (Foto: Katherine Coutinho / G1)
 Ao mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Contudo, nas crônicas que publicou no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, deixou escapar de tempos em tempos confissões que, devidamente pinçadas, permitem compor um auto-retrato bastante acurado, ainda que parcial. Isto porque Clarice por inteiro só os verdadeiramente íntimos conheceram e, ainda assim, com detalhes ciosamente protegidos por zonas de sombra. A verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores, ainda que os textos confessionais aqui coligidos possibilitem reveladores vislumbres de sua densa personalidade. 
Pixações marcam a fachada do sobrado onde Clarice Lispector morou na infância, no Recife. ( 2015)
A infância da escritora ucraniana Clarice Lispector no Recife marca parte de sua obra. O amor da escritora pela cidade era tanto que ela costumava se definir como pernambucana. No entanto, a casa em que morou com a família, no bairro da Boa Vista, na região central da capital, se encontra atualmente fechada, com sinais de depredação. A Santa Casa de Misericórdia, dona do imóvel, alega falta de verbas e parceiros para a reforma.

No dia 01 de outubro de 2014, o Opinião Pernambuco falou sobre os 50 anos do livro "A Paixão Segundo G.H.", da escritora pernambucana Clarice Lispector, com a apresentadora Stella Maris Saldanha e os convidados:





" Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."  Clarice Lispector



4 de fevereiro de 2016

Crônicas do Cotidiano ( animal ) - O velho porco Tobias


Imagem Antônio Gosper
O fazendeiro pediu ao velho porco Tobias, que reunisse os animais da granja. Pois pretendia fazer um comunicado.

Quatro Patos, seis galinhas, duas vacas, três ovelhas, um casal de coelhos, o cavalo Silvestre e a tartaruga Genovesa se aproximaram da sede da fazenda a fim de ouvir o que o dono da fazenda tinha para dizer.

  Meu aniversário está se aproximando. Em breve completarei 70 anos.   disse o velho fazendeiro. 

Todos os animais, exultantes, o felicitaram.

 E para essa data, mais do que especial para mim e para minha família, iremos preparar uma grande festejo. O maior da região! Por isso, resolvi chamá-los até aqui.

Duas das galinhas ainda o felicitavam quando o fazendeiro falou secamente:

 Vou precisar da compreensão de vocês para o preparo do banquete.

A vaca Filó, sem entender ao certo o que o fazendeiro queria dizer com a  palavra “ preparo “, perguntou:

– O senhor vai querer a nossa ajuda para preparar os pratos?

– Não!  respondeu o fazendeiro. Estou querendo saber com que tempero vocês gostariam de ser comidas?

Foi um alvoroço... um pato subiu no lombo do cavalo silvestre, que assustado deu um coice em uma das galinhas, que foi parar no casco da tartaruga Genovesa. O casal de coelhos com medo de virar ensopado correu em disparada para toca. O mesmo fizeram as ovelhas que debandaram pelo meio do pasto.

Uma das aves, uma humilde galinha, que até então permanecia estática, respondeu: 

– Nós não queremos ser comidas de nenhuma maneira.

 Isso está fora de questão!   respondeu o fazendeiro.

Foi quando o porco, o mais velho e astuto entre os animais falou:

 – O senhor nos de um tempo para pensar. Assim, pegos desprevenidos, fica difícil pensar.

– Vocês têm até amanhã. Depois preciso de uma resposta.  disse o fazendeiro.

No dia seguinte, o porco Tobias, acompanhado por um colegiado de espécies, veio com a resposta.

– Estes são os animais... Para o banquete.

O fazendeiro pegou a lista, pousou os óculos de leitura sobre nariz e leu atentamente.

  "Três patos ao molho de laranja, duas galinhas assadas e um novilho na manteiga com  batatas à dorê. Este último, sugestão pessoal do porco que não se dava com o animal"

Todos ficaram indignados com o porco Tobias, pois o combinado não era esse. E sim, a vaca Berenice, a mais velha do rancho, que há dias pressentia a hora de sua partida.

O homem prometeu avaliar a lista, mas a decisão final seria dele.

Chegado o dia do festejo, todos se esbaldaram com a comilança e a dupla sertaneja que tocava moda de viola.

Dentro do celeiro, alguns animais trocavam um dedo de prosa.

– Alguém viu o Silvestre? – perguntou a tartaruga Genovesa.

– O fazendeiro colocou-o para puxar carroça com as crianças dentro. – respondeu o coelho.


– Vocês viram aquele bolo? Usaram mais de 10 ovos só no preparo. 

– Fomos nós que demos os ovos – disse uma das galinhas.

– Mas o travesseiro de penas, esse foi um presente nosso! 
– respondeu a pata reparando no próprio peito, sem boa parte das penas.  


– E a camisa nova que ele ganhou? Nós que fornecemos a lã. – falou a ovelha toda orgulhosa.

– E o leite é meu ! 
– disse a vaca Filó, antes que começasse o tumulto por conta de quem deu o que... 


No fundo do celeiro, deitada na forragem, a velha Berenice se permitiu entrar na conversa.

– Pobre porco Tobias, depois de tantos anos de dedicação, acabar de forma tão trágica, preparado no rolete.


Fim