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Mostrando postagens de 2017

Conjugaciones por Mario Benedetti ( Poema )

5 (después)

El futuro no es una página en blanco es una fé de erratas.
8 (previsión)

                                 De vez en cuando es bueno                                  ser consciente                                  de que hoy                                  de que ahora                                  estamos fabricando                                  las nostalgias                                  que descongelarán                                  algún futuro.
9 (plurales)

                                                                Hay                                                                 ayeres                                                                 y mañanas

Crônicas do Cotidiano - Eu, meu amigo Tony e a faixa de pedestres.

Estávamos no ápice do verão europeu. O suor corria pelo rosto, ensopando a camiseta. Dentro do terminal de Victoria, tomei o ônibus que saia de Londres até Varsóvia. Viajem de aproximadamente sete horas. Era minha primeira vez na Polônia. Por isso, não sabia o que esperar.  Ao meu lado na poltrona, ia um polaco de quase dois metros de altura.
Ele se apresentou como Tony, num inglês carregadíssimo. Estava voltando para casa dos pais, após dois anos insignificantes na Inglaterra. Perguntei no que trabalhava. “Encanador”, disse ele. “Assim como uma centena de outros encanadores poloneses”, enfatizou. Lembrei-me de alguns amigos Albaneses que saiam no braço para ter uma vaga de emprego. Aposto que os poloneses não agiam muito diferente.
 Passado um terço da viagem, o ônibus fez sua primeira parada. Era quase meio dia, e eu estava morrendo de fome. Aprendi com viagens mais longas, a sempre levar comigo alguma fruta, sanduíche e suco, caso sentisse fome. Quando fui dar a primeira mordida no…

Me voy, volando por ahí...

"Soy de la cuidad con todo lo que ves 
Con su ruido, con su gente, consume vejez  Y no puedo evitar, el humo que entra hoy  Pero igual sigo creciendo, soy otro carbón
No voy a imaginar, la pena en los demás Compro aire y si es puro, pago mucho más... "


Caixa do Correio # 26

Os Lança-Chamas –  Rachel Kushner  I 2. O Som e a Fúria – William Faulkner
                 ETIQUETA: WILLIAM FAULKNER
Escritor norte-americano. Nascido em New Albany, William Cuthberth Faulkner renova a prosa norte-americana com sofisticadas experiências técnicas em seus textos. A maioria de seus romances tem como cenário o imaginário Condado de Yoknapatawpha, no sul dos EUA.
Sua obra reflete o desmoronamento do universo familiar e social de brancos e negros causado pela Guerra Civil Americana (1861-1865). Para ele, a fonte do mal é a escravidão, que teria afastado o homem da natureza. Vive até os 13 anos no Mississippi. Durante a I Guerra Mundial, por espírito de aventura, inscreve-se na aviação canadense e é enviado a Toronto.
Não sai do Canadá, mas jamais desmente a lenda de que teria participado de ações militares na Europa. Entra para a universidade em 1919, mas é reprovado em inglês e abandona o curso no ano seguinte. Trabalha como piloto, pintor de paredes e carteiro e, em 1924, p…

Mário de Sá-Carneiro

"Eu não sou eu
 Nem sou o outro
 Sou qualquer coisa
 De intermédio, pilar da ponte
 De tédio, que vai de mim para o outro."

Na parede da escola que fica ao lado de alguma faculdade.

Mario Benedetti y Luz López Alegre

[...] cuando la conocí / tenía apenas doce años y negras trenzas / y un perro atorrante / que a todos nos servía de felpudo / yo tenía catorce y ni siquiera perro / calculé mentalmente futuro y arrecifes / y supe que me estaba destinada / mejor dicho que yo era el destinado / todavía no se cuál es la diferencia [...].


O Som e a Fúria - William Faulkner | Pensar ao Ler ( booktuber Laura )

"I remember the first time I read Faulkner- I was shocked . I did not know what to do next . I was fascinated by his book, because suddenly realized that the book can contain an amount of meanings , which I could not think ahead " -Alécio Faria

Brasil: ainda há esperança

O drama de uma menina de apenas 8 anos, vítima das enchentes em Pernambuco emocionou os brasileiros esta semana.  E não foi pelo o que ela perdeu, mas pelo o que conseguiu salvar.

A menina Rivânia foi resgatada de uma casa simples onde mora com os avós, em São José da Coroa Grande. Walter registrava os flagrantes da cidade inundada pelas águas quando viu a Rivânia na jangada, na chuva. As fotos da menina caíram na internet, foram compartilhadas e emocionaram os brasileiros. A criança aparece sozinha e molhada, ajoelhada na jangada, abraçando a mochila. Ela tremia de frio e rezava de olhos fechados. Rivânia escolheu salvar os livros que colocou dentro da mochila. Os livros e também o caderno, onde anota as lições com a letra caprichada. A família de poucos recursos está vestindo e comendo o que recebe de doações, mas Rivânia não se deixa abater e sonha com o futuro.

Porque hoje é sábado, minha dica de filme, Moonlight

Moonlight narra a história de Chiron, um menino introspectivo, filho de uma mãe viciada em crack cujo paradeiro do pai não se sabe. Quem acaba se tornando sua figura paterna é o traficante do bairro, Juan, vivido por um impecável Mahershala Ali, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. É improvável, mas afetuosa e verdadeira a relação a que se estabelece entre os dois.
E para tornar a vida mais complicada, Chiron sofre bullyings constantes dos colegas de escola simplesmente porque talvez seja gay, algo que nem ele entende muito bem ainda o que seja e muito menos sabe se é.
Ironicamente, Chiron repete a saga destinada a Juan. Mas também carrega em si muitas contradições. Ser negro, crescer na periferia de uma grande cidade americana, não ser o estereótipo do machão (máscara importante para se afirmar em uma sociedade machista e violenta), descobrir e assumir sua sexualidade, descobrir quem se é. Não há respostas rápidas nem fáceis para Chiron. E muito por isso, a história com o amig…

10 coisas que você não sabia sobre Mario Benedetti.( Português/ Español )

1-Foi batizado com cinco nomes devido aos costumes italianos que sua família tinha. Seu nome completo é Mario Orlando Hamlet Hardy Brenno Benedetti Farugia.

2-“Quando eu entrei no colégio (aos cinco anos) já sabia ler. Não recordo como aprendi, mas já tinha lido Júlio Verne e  Emilio Salgari”, afirma Benedetti em entrevista na Sala Zitarrosa para um documentário sobre seus 84 anos. (dirigido por Ricardo Casas).

3-O primeiro livro que arrebatou o jovem  Mario Benedetti foi ‘Dois anos de férias’, de Júlio Verne.

4-Benedetti confessa que desde pequeno estava obstinado com a leitura. “Se me davam um livro de noite, eu passava a madrugada inteira com a vela acesa, lendo.” afirma. Por isso, seu pai o limitava a ler somente 20 páginas por noite; no entanto, ele lia as mesmas 20 páginas mais de uma vez. 5-No fim da década de 20, sua família se muda para Montevidéu. Em 1928, Benedetti ingressa num colégio Alemão para estudar o primário. Seu pai, químico de profissão, admirava a ciência teutona, ma…

Entender ( ou não ) , por Clarice Lispector.

" Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo." Clarice Lispecto

O gênio Gustavo Gustavo Kuerten - 20 anos de seu primeiro título em Roland Garros - Paris

Há duas décadas, Gustavo Kuerten saía do anonimato para conquistar Roland Garros e o coração do mundo inteiro. A epopeia do brasileiro em 1997, até hoje a maior zebra da história do Grand Slam, não passará batida. Para lembrar o feito do menino de Florianópolis, que na época tinha 20 anos, a Federação Francesa de Tênis (FFT) lançou uma mini-documentário de 19 minutos. Nele, mostra bastidores da conquista jogo a jogo, entrevistas com Gustavo Kuerten, a mãe Alice, o irmão Rafael, além do primeiro técnico e amigos de infância.



Com o título “O Guga – The legendary victory of Gustavo Kuerten in 1997- Roland-Garros”, o material foi produzido em Florianópolis, que recebeu a visita de documentaristas francesas. A película é mesclada por imagens do acervo da família, jogos e bastidores da primeira experiência de Guga como campeão após bater o espanhol Sergi Bruguera na decisão. O documento tem registros importantes dos bastidores das duas semanas do Grand Slam, com passagens marcantes que levar…

Zafar...La Vela Puerca

No voy a tolerar, que ya no tengan fe
Que se bajen los brazos, que no haya lucidez.

Me voy, volando por ahí Y estoy, convencido de ir Me voy, silbando y sin rencor Y estoy, zafando del olor.

Frase de Fahrenheit 451 por Ray Bradbury

"— A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?" - Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Crônicas do Cotidiano - Rabisco de Papel

Já algum tempo, pensava em ter uma linha telefônica em casa. Tinha até mesmo separado um espaço na estante da sala para colocar o aparelho.
Entrei em contato com a operadora, escolhi um plano que se adequasse as minhas necessidades e solicitei a instalação. Agora só faltava comprar um aparelho. Pensei num modelo antigo, daqueles que você precisa enfiar o dedo no discador para ligar,  sabe? Se possível igual ao que meus pais tinham em casa nos anos 80. Naquela época minha única preocupação era com a minha mãe gritando do portão de casa, que o jantar estava na mesa.
Passeando pela feira de antiguidades no vão livre do Masp, encontrei um modelo muito parecido com o que tínhamos. Até na cor creme, eram iguais. O difícil foi convencer o senhor que cuidava da barraca a me vender num preço razoável. Precisei fazer umas três ofertas até conseguir por chantagem emocional que ele topasse.
Confesso que não foi fácil discar os números com meu novo aparelho. Estava há mais de vinte anos destreinado. …

Caixa do Correio # 25

1. Formas de Voltar para Casa –  Alejandro Zambra  I 2. A Balada do Café Triste – Carson McCullers

              ETIQUETA: ALEJANDRO ZAMBRA
Filho de Horacio Zambra e Rosa Infantas, nasceu em Villa Portales, mas quando Alejandro tinha cinco anos de idade, se mudaram à villa Las Terrazas, em Maipú. Zambra se matriculou no sétimo ano básicono Instituto Nacional José Miguel Carreira, onde chegaria a ser presidente da ALCIN (Academia de Letras Castelhanas) em 1993. Ingressou depois naUniversidade de Chile(licenciou-se em Literatura Hispânica). Aos 20 anos já vivia independentemente e, além de estudar, trabalhava: respondendo  a telefonemas, em bibliotecas, como carteiro, como junior.Assim recorda aquela época em que se considerava poeta: Depois de se formar em 1997, conseguiu uma bolsa emMadri.Em Espanha obteria um mestrado em filologia hispânica do (CSIC), se casaria com uma desenhadora e separaria-se em pouco tempo. Ao regressar ao Chile, foi viver no bairro Bellavista num apartamento de doze…

Crônicas do Cotidiano - Eu, Kid Vinil e o Elevador

( Este post foi publicado inicialmente em fevereiro de 2016)

Estava voltando da faculdade. Era mais uma noite chuvosa em São Paulo, quando o Kid Vinil entrou no elevador. Morávamos no mesmo prédio, mas aquela era a primeira vez que nos encontrávamos. Acho que nossos horários não se cruzavam. 


Cumprimentei-o com um leve aceno de mão. Ele retribuiu com um olá. Putz ! O ícone do rock dos anos 80, estava ali, ao meu lado, pensei. Precisa falar alguma coisa, puxar conversar...sei lá. Revelei ser seu fã. De gostar de suas músicas e de ter crescido ouvindo elas. Kid Vinyl agradeceu, mostrando um sorriso contido.Por certo ouvia isso a todo tempo. Que original de minha parte. [ Como é difícil estar próximo de uma pessoa famosa, sem parecer tosco]. Como fã, precisa dizer alguma coisa única. Mas o que ? Foi aí, que eu revelei meu lado mais obscuro - cantei uma de suas músicas. Ele empalideceu, fez caretas, me olhou com espanto. Temi estar fora do tom, de  ter errado a letra.... E se eu  cantasse out…