30 de abril de 2017

Beso Artesanal por Mario Benedetti ( Frase )





" En este mundo tan codificado con internet y otras navegaciones, yo sigo prefiriendo el viejo beso artesanal que desde siempre comunica tanto. "  

                                                                                        Mario Benedetti

26 de abril de 2017

Fahrenheit 451 por Ray Bradbury




“O televisor é ‘real’. É imediato, tem dimensão. Diz o que você deve pensar e o bombardeia com isso. Ele tem que ter razão. Ele parece ter muita razão. Ele o leva tão depressa às conclusões que sua cabeça não tem tempo para protestar: ‘isso é bobagem!’”

                                                                                                                           Fahrenheit 451Ray Bradbury


24 de abril de 2017

Desgana por Mario Benedetti ( Poema )




Desgana
No tengo ganas de escribir
pero la letra avanza sola
forma palabras y relevos
que reconozco como mios.
en la ventana llueve
tantas veces la calle
brillo sin fundamento
No tengo ganas de escribir
por eso queda el tiempo en blanco
y no es un blanco de inocencia
ni de palomas ni de gracia
en la ventana llueve
tantas veces la calle
se anego de presagios
No tengo ganas de escribir
pero la lluvia llueve sola.

22 de abril de 2017

Porque hoje é sábado, minha dica de filme: Paterson




Paterson é um motorista de ônibus da cidade de Paterson, Nova Jersey — eles têm o mesmo nome. 
Diariamente, o homem repete uma rotina simples: dirige sua rota, observando a cidade que se revela pela janela e ouvindo fragmentos de conversas que o rodeiam; escreve poesias em um caderno; passeia com o cachorro; para em um bar, bebe uma cerveja e, depois, volta para casa para encontrar a namorada, Laura.


Ao contrário dele, o mundo de Laura está sempre mudando. Ela tem novos sonhos todos os dias. Paterson apóia as ambições da namorada, e  ela o encoraja no talento dele para a poesia.
 O filme observa silenciosamente as vitórias e derrotas da vida cotidiana, e a poesia que se evidencia nos pequenos detalhes.



11 de abril de 2017

Caixa do Correio # 24 ( Estante Virtual )




1. Hotel Atlântico –  João Gilberto Noll  I 2. O Quinze – Rachel de Queiroz  I 3.  Perplejidades de Fin de Siglo – Mario Benedetti 


Fica aqui, uma menção ao falecimento do João Noll, escritor porto alegrense.  ( 1946-2017)

           ETIQUETA: RAQUEL DE QUEIROZ 
Raquel de Queiroz nasceu em 17 de novembro de 1910, em Fortaleza, Ceará. Ainda não havia completado 20 anos, e 1930, quando publicou O Quinze, seu primeiro romance. Mas tal era a força de seu talento, que o livro despertou imediata atenção da crítica. Dez anos depois, publicou João Miguel, ao qual se seguiram: Caminho de pedras(1937), As três Marias (1939), Dôria, Dorialina ( 1975) e não parou mais. Em 1992, publicou o romance Memorial de Maria Moura, um grande sucesso editorial.

Rachel dedicou-se ao jornalismo, atividade que sempre exerceu paralelamente à sua produção literária.

Cronista primorosa, tem vários livros publicados. No teatro escreveu Lampião e A beata Maria do Egito e, na literatura infantil, lançou O menino mágico, Cafute, e Pena-de-prata, Xerimbabo e Memórias de menina, que encantaram a imaginação de nossas crianças.
Em 1931, mudou-se para o Rio de Janeiro, mas nunca deixou de passar parte do ano em sua fazenda “ Não me deixes “ , no Quixadá, agreste sertão cearense, que ela tanto exalta e que está tão presente em toda sua obra.

Uma obra que gira em torno de temas e problemas nordestinos, figuras humanas, dramas sociais, episódios ou aspectos do cotidiano carioca. Entre o Nordeste e o Rio, construiu seu universo ficcional ao longo de mais de meio século de fidelidade à sua vocação.

O que caracteriza a criação de Rachel na crônica ou no romance – sempre  é a agudeza da observação psicológica e a perspectiva social. Nasceu narradora. Nasceu para contar histórias. E que são as suas crônicas a não ser que pequenas histórias, narrativas, núcleos ou embriões de romances?

Seu estilo flui com a naturalidade do essencial. Rachel se integra na vertente do verismo realista, que se alimente de realidades concretas, nítidas. O sertão nordestino, com a seca, o cangaço, o fanatismo e o beato, mais o Rio da pequena burguesia, eis o mundo de nossa Rachel. Um estilo despojado, depurado, de inesquecível força dramática.

Primeira escritora a integrar a Academia Brasileira de Letras (1977), Rachel de Queiroz faleceu no Rio de Janeiro, aos 92 anos , em 4 de novembro de 2003.  

"A vida é uma tarefa que não pode ser dividida com ninguém." 
 Rachel de Queiroz


6 de abril de 2017

5 de abril de 2017

Família feliz ou quase isso...



O badalar do sino da igreja chamava os fieis para o início da primeira missa do dia. Algumas beatas apertavam os passos em frente à catedral, tentando não se atrasar. Acho que ninguém me viu. Estava ainda escuro. Recolhi minhas coisas e fui procurar uma padaria para tomar café.  

 Eu não quero que entre! Se quiser pedir alguma coisa, espere do lado de fora, você entendeu?

Levantei o polegar e fiz um sinal de positivo. Era assim que eu me comunicava com meus conterrâneos porto alegrenses (por meio de gestos ). Não que eu me importasse, estava acostumado com aquele tipo de tratamento. Não era difícil perceber, quando a minha presença incomodava. Era preciso somente interpretar o que o mundo me dizia.

Enquanto espero do lado de fora da padaria, fiquei prestando atenção ao noticiário, numa televisão instalada detrás do balcão. No intervalo das tragédias cotidianas (que não são poucas), entrou uma propaganda de margarina. Acho que desde que o mundo é mundo, propaganda de margarina é tudo igual. Há sempre uma família feliz, mesa farta e, é claro, um pote de margarina. O pai lê jornal, a mãe faz carinho nos filhos e todos sorriem. Estão indiscutivelmente bem-humorados. Então, trocam olhares complacentes, enquanto a mãe desliza a espátula cheia de margarina num pão bem quentinho. Em seguida, ela morde a fatia do pão, proferindo um melodioso: "Hum, delícia!". Assim começa o dia para uma família de comercial de margarina, ou melhor, a família perfeita que nunca se derrete.

Gostaria de saber há quantos anos estes  comerciais de margarina  povoam o imaginário das famílias –, ditas normais. E o mais interessante é que o cenário familiar apresentado nunca muda. Se não, vejamos: “Um lindo dia ensolarado, uma casa ampla com cortinas esvoaçantes, pássaros cantando e flores espalhadas pelo jardim”.

E a mesa do café da manhã? Frutas, leite, sucos, chás, pães, queijos, frios, torradas, croissants, geléias, iogurtes, cereais, patês, biscoitinhos, bolos... E a estrela do comercial   a margarina.

Quanto à família, nem se fala. Todos acordam satisfeitos às seis horas da manhã, já maravilhados com o sol e definitivamente felizes. A esposa geralmente caucasiana, e de cabelos loiros, serve o café. O marido bem humorado dá um: Bom dia!Como se não os vissem há décadas.  E os filhos? Todos alegres e saudáveis...  Sem falar no cão, geralmente de pedigree que passa latindo e correndo pela casa - brincalhão, de pêlos macios e cheio de vitalidade.
***

Um senhor alto, magro, de barba, cabelos brancos e aparentando estar bastante cansado da vida, agachasse ao meu lado, enrolando um cigarro de palha. Não é de muita conversa. E assim permanecemos, ele chupando o cigarro e eu assistindo ao noticiário.  

Dentro da padaria, alguns fregueses contumazes gritavam, exigiam prioridade no pedido, reclamavam da hora, do café amargo, das broas frias e do pão, pouco sovado. Logo quebrado por um silêncio tibetano pela imperativa chegada de dois policiais, que faziam a ronda no bairro.

Enquanto esperávamos do lado de fora, como se o nosso dinheiro fosse de uma casta inferior, o canal de televisão reprisava o comercial da família feliz. Agora, com mais calma, notei que o modelo idealizado pela propaganda é totalmente fora da realidade brasileira. Não que não se deva desejar ter uma família assim. Longe disso! Todos nós temos sonhos. O que eu quero dizer é que pelo menos, se crie um modelo compatível com a realidade do lado de baixo do equador. E pelo jeito não sou o único a pensar deste jeito. O senhor magro e de barba, que até então pitava placidamente seu cigarro, esboçou um sorriso irônico ao ver o comercial. Acho que compartilhamos da mesma opinião, com a diferença de que ele vivenciou isso mais na pratica do que eu.  

Uma das funcionárias da padaria vem ao nosso encontro.

Entreguei meus dois reais em moedas, e esperei que ela contasse uma por uma. (não sei por que ainda me surpreendo). Peguei o saco com pão, o café separado num copo plástico e me despedi do senhor de barba.

 De costas voltas, pude ouvir perfeitamente o comentário de uma freguesa:

“Coitado deste menino, que Deus tenha piedade da alma dele. ”disse ela.

Não sei por que as pessoas repetem frases prontas, mas são incapazes de dar uma moeda ao próximo.  Deve ser para mostrar certa resignação aos desígnios divinos. 

Enquanto caminho até meu carrinho de papelão, parado do outro lado da rua, fiquei pensando sobre a família feliz. Percebi que não gosto das campanhas publicitárias. Elas tentam colocar na cabeça das pessoas que nada dá errado em nossas vidas, que nada nos falta, que temos abundância em tudo. Como se a nossa casa estivesse sempre perfeitinha; em bondade, saúde e bem estar. Isto é o que eu não gosto, e nem acredito! As famílias margarinas são escancaradamente felizes, só publicamente – na intimidade – todas têm ajustes a fazer. Essa perfeição ofertada nos comerciais, para mim soa como falsa. É como se comprando uma simples margarina, toda felicidade do mundo pudesse estar contida dentro dela.


Eu gostava do café da manhã. Mas no dia que faleceu minha mãe, com ela foi o pote de margarina.




2 de abril de 2017

45 lições que a vida me ensinou, publicado por Regina Brett, (90 anos)


Pensei o quê escrever, próximo de completar 40 anos... Desisti, depois de ler este texto.


1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .
3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.
4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares,simPermaneça em contato. 
5. Pague mensalmente seus cartões de crédito. ( Essa é boa para nós brasileiros ! )
6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.
7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho. ( Desculpe-me Brett, mas Boys don´t cry )
8. Pode ficar bravo com Deus. Ele suporta isso.
9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.
11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem Idea do que é a jornada deles.
14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.
16. Respire fundo. Isso acalma a mente.
17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.
20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.
23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.
26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?' 
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todo mundo.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta. 
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo. 
31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
33. Acredite em milagres.
34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou deixou de fazer. 
35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
36. Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem. 
37. Suas crianças têm apenas uma infância.
38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares. 
40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa. 
42. O melhor ainda está por vir. 
43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça. 
44. Produza!
45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.” 

Centenário de Auguste Rodin





A Porta do Inferno é sem dúvida uma das obras mais importantes e mais conhecidas de Auguste Rodin. O escultor francês dedicou anos de sua carreira para a realização dessa grande escultura.

Foi a primeira encomenda oficial feita pelo Estado à Rodin, em 1880. A obra seria exposta no Musée des Arts Décoratifs de Paris e foi o próprio Rodin quem escolheu o tema: O Inferno de Dante Alighieri.  A Divina Comédia de Dante, poeta italiano do fim da Idade Média, é dividida em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso.  A obra foi traduzida para o francês no século XVIII e inspirou inúmeros artistas do Romantismo que procuravam explorar as profundezas da consciência humana. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, os amores trágicos e os ideais utópicos.

Mas, ao esculpir a Porta do Inferno, Rodin não ilustra os episódios descritos por Dante. Ele faz uma reflexão sobre a condição humana. Rodin coloca em cena os excessos humanos, os homens que perderam o próprio controle. Ao invés de representar os personagens com roupas medievais, Rodin esculpe seus personagens nus e isso dá à obra um caráter de atemporalidade e universalidade.

Diversas figuras criadas por Rodin para a Porta do Inferno foram, mais tarde, reproduzidas individualmente e com um tamanho maior. Entre elas O Pensador e O Beijo.

Em cima da Porta vemos o Pensador, uma das obras mais célebres de Rodin. A escultura chamava-se originalmente O Poeta. O Pensador é Dante, em meditação profunda em frente aos Portões do Inferno.  Hoje temos mais de vinte cópias do Pensador feitas a partir do molde original e espalhadas por diversos museus do Mundo.

Outra obra célebre de Rodin é O Beijo. Foi originalmente esculpida para A porta do Inferno, mas o casal foi posteriormente removido e substituído por outro casal de namorados. O Beijo foi inspirado nos personagens da Divina Comédia  Paolo e Francesca. Os amantes foram mortos pelo marido de Francesca, que os surpreendeu na troca de um beijo. O casal, por ter cometido o crime da luxúria, foi condenado a vagar eternamente pelo inferno.

A Porta do Inferno, apesar de inacabada, é uma obra decisiva para a história da Escultura Moderna. Mais que uma porta, Rodin queria mostrar uma versão espetacular do inferno. 


Fotos: © Musée Rodin


1 de abril de 2017

Porque hoje é sábado, minha dica de filme, Transpotting 2




Primeiro foi a oportunidade, depois a traição. Vinte anos se passaram e muita coisa mudou, mas outras tantas não. Mark Renton volta para o único lugar que ele consegue chamar de casa. Spud, Sick Boy e Begbie estão esperando por ele.


Trainspotting  é um dos mais icônicos filmes produzidos em UK.  O longa-metragem de Danny Boyle sobre o consumo de heroína e “ escolher a vida “ definiu uma geração como nenhum outro filme da época. Trainspoting 2 utiliza a pesada bagagem de ser uma continuação, para extrair uma introspectiva e surpreendente historia original. 












O filme  é uma viagem nostálgica com o pé no presente e que não tem medo de encarar seus antigos tabus. A dependência sobre os temas do primeiro filme de 1996, talvez afaste um pouco o novo público, mas os fãs devotos vão se sentir contemplados com uma história tão divertida, quanto a original.