5 de dezembro de 2016

Férias...volto em 2017



AOS MEUS 3 BRAVOS E PERSISTENTES  LEITORES, DESEJO UM FELIZ NATAL E UM ANO NOVO REPLETO DE REALIZAÇÕES ! 


"Deixe-me ir

Preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

Se alguém por mim perguntar

Diga que eu só vou voltar

Depois que me encontrar "

                                     Cartola


4 de dezembro de 2016

Esa boca por Mario Benedetti ( Conto )





Su entusiasmo por el circo se venía arrastrando desde tiempo atrás. Dos meses, quizá. Pero cuando siete años son toda la vida y aún se ve el mundo de los mayores como una muchedumbre a través de un vidrio esmerilado, entonces dos meses representan un largo, insondable proceso. Sus hermanos mayores habían ido dos o tres veces e imitaban minuciosamente las graciosas desgracias de los payasos y las contorsiones y equilibrios de los forzudos. También los compañeros de la escuela lo habían visto y se reían con grandes aspavientos al recordar este golpe o aquella pirueta. Sólo que Carlos no sabía que eran exageraciones destinadas a él, a él que no iba al circo porque el padre entendía que era muy impresionable y podía conmoverse demasiado ante el riesgo inútil que corrían los trapecistas. Sin embargo, Carlos sentía algo parecido a un dolor en el pecho siempre que pensaba en los payasos. Cada día se le iba siendo más difícil 

Entonces preparó la frase y en el momento oportuno se la dijo al padre: « ¿No habría forma de que yo pudiese ir alguna vez al circo? » A los siete años, toda frase larga resulta simpática y el padre se vio obligado primero a sonreír, luego a explicarse: «No quiero que veas a los trapecistas. » En cuanto oyó esto, Carlos se sintió verdaderamente a salvo, porque él no tenía interés en los trapecistas. « ¿Y si me fuera cuando empieza ese número? » « Bueno », contestó el padre, « así, sí».

La madre compró dos entradas y lo llevó el sábado de noche. Apareció una mujer de malla roja que hacía equilibrio sobre un caballo blanco. Él esperaba a los payasos. Aplaudieron. Después salieron unos monos que andaban en bicicleta, pero él esperaba a los payasos. Otra vez aplaudieron y apareció un malabarista. Carlos miraba con los ojos muy abiertos, pero de pronto se encontró bostezando. Aplaudieron de nuevo y salieron -ahora sí- los payasos.

Su interés llegó a la máxima tensión. Eran cuatro, dos de ellos enanos. Uno de los grandes hizo una cabriola, de aquellas que imitaba su hermano mayor. Un enano se le metió entre las piernas y el payaso grande le pegó sonoramente en el trasero. Casi todos los espectadores se reían y algunos muchachitos empezaban a festejar el chiste mímico antes aún de que el payaso emprendiera su gesto. Los dos enanos se trenzaron en la milésima versión de una pelea absurda, mientras el menos cómico de los otros dos los alentaba para que se pegasen. Entonces el segundo payaso grande, que era sin lugar a dudas el más cómico, se acercó a la baranda que limitaba la pista, y Carlos lo vio junto a él, tan cerca que pudo distinguir la boca cansada del hombre bajo la risa pintada y fija del payaso. Por un instante el pobre diablo vio aquella carita asombrada y le sonrió, de modo imperceptible, con sus labios verdaderos. Pero los otros tres habían concluido y el payaso más cómico se unió a los demás en los porrazos y saltos finales, y todos aplaudieron, aun la madre de Carlos.

Y como después venían los trapecistas, de acuerdo a lo convenido, la madre lo tomó de un brazo y salieron a la calle. Ahora sí había visto el circo, como sus hermanos y los compañeros del colegio. Sentía el pecho vacío y no le importaba qué iba a decir mañana. Serían las once de la noche, pero la madre sospechaba algo y lo introdujo en la zona de luz de una vidriera. Le pasó despacio, como si no lo creyera, una mano por los ojos, y después le preguntó si estaba llorando. Él no dijo nada. «¿Es por los trapecistas? ¿Tenías ganas de verlos?

Ya era demasiado. A él no le interesaban los trapecistas. Sólo para destruir el malentendido, explicó que lloraba porque los payasos no le hacían reír.


Não há vagas por Ferreira Gullar ( R.I.P )




O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira


3 de dezembro de 2016

Porque hoje é sábado, minha dica de filme: A Conversação, de Francis Ford Coppola




A Conversação, que Francis Ford Coppola escreveu e dirigiu em 1974, é provavelmente um dos filmes que espelham, mostram, traduzem com maior rigor, precisão, perfeição, o espírito da sua época, do seu momento histórico. Trata da perda dos valores morais da nação americana nos anos Nixon. De maneira profética, foi produzido e lançado pouco antes de estourar o escândalo Watergate, que revelou ao mundo como o esgoto havia tomado conta da Casa Branca no início dos anos 70.

Para lembrar, bem rapidamente: a história começou como um pequeno crime comum – invasão e roubo no quartel general da campanha democrata à presidência da República, num prédio de Washington chamado Watergate. À medida em que avançavam as investigações, ia ficando cada vez mais claro que se tratava, na verdade, de uma manobra de espionagem, a mando da campanha rival, a da reeleição de Richard Nixon. E que a ordem para a espionagem havia sido dada de dentro da Casa Branca. Os assessores foram sendo envolvidos um a um no escândalo, como num dominó, até se chegar à conclusão de que a manobra havia tido o conhecimento e a aprovação do próprio presidente. As comissões de investigação no Congresso foram descobrindo, então, que todas as reuniões feitas por Nixon e seus assessores mais próximos eram gravadas em fitas.

A Conversação gira em torno de Harry Caul (uma interpretação magnífica do grande Gene Hackman), um especialista em escuta e gravação clandestinas em fitas, o grampo.

A Conversação/The Conversation
De Francis Ford Coppola, EUA, 1974
Com Gene Hackman (Harry Caul), John Cazale (Stanley), Allen Garfield (Bernie Moran), Frederic Forrest (Mark), Cindy Williams (Ann), Teri Garr (Amy), Harrison Ford (Martin Stett), Elizabeth MacRae (Meredith), Robert Duvall (o diretor), Michael Higgins (Paul) 
Argumento e roteiro Francis Ford Coppola
Fotografia Bill Butler
Música David Shire
Montagem Richard Chew
Som Walter Murch 
Produção Francis Ford Coppola, American Zoetrope, The Directors Company, Paramount Pictures. DVD Lume Filmes.
Cor, 113 min

29 de novembro de 2016

27 de novembro de 2016

26 de novembro de 2016

Porque hoje é sábado, minha dica de filme: A tartaruga vermelha





O filme não tem diálogo e mostra um homem perdido em uma ilha deserta, que deseja escapar dali desesperadamente. Sua realidade muda com o aparecimento de uma estranha tartaruga.

“Uma ilha deserta, um náufrago, um barco improvisado e uma tartaruga vermelha, estes são os elementos primários que compõem este belíssimo filme francês.”

Direção Michael Dudok de Wit
Estreia no Brasil  2 de fevereiro





23 de novembro de 2016

Caixa do Correio # 21 ( Especial )



1. Manhã de sol florida, cheia de coisas maravilhosas – Alécio Faria I 2. Vivir adrede – Mario Benedetti 


Maestro Mario Benedetti
Vivir adrede 


O livro se compõe em 3 partes : Viver , Intencionalmente , coisas inúteis:

Em Viver, Benedetti une o título ao tema e  faz reflexões sobre sua vida.

Em Intencionalmente, ele nos mostra contos curtíssimos com anedotas.

Em Coisas inúteis, é impossível não rir com suas frases. 

Ótimo livro,  o conteúdo se devora em poucas horas. 




Manhã de sol florida, cheia de coisas maravilhosas.
( lançamento Editora Selo Jovem * )

Conta a história do uruguaio Miguel Martinez que tardiamente consegue realizar o sonho de conhecer o Rio de Janeiro. Mas para um estrangeiro solitário, a vida parece não ter muita graça na cidade maravilhosa. Isso  até ele encontrar com a repórter  Ana Clara Pernambuco.

Morando num país periférico, belo e exótico, porém esquecido e marginalizado pela ditadura militar dos anos 70, Ana Clara o envolverá numa arriscada investigação sobre a indústria de bebidas.

BLACK FRIDAY DIA 25 - R$9,99 ( http://www.selojovem.com.br/)

A imagem pode conter: texto


15 de novembro de 2016

9 de novembro de 2016

El compañero por Mario Benedetti



Nunca fui fumador, salvo en una ocasión, em Cuba. Habíamos ido a visitar una fábrica de habanos y a todo costa querían que yo me estrenara con uno de esos tremendos charutos.
Por fin accedí, y como buen inexperto, tragué el humo y por supuesto me desmayé. Estuve más de una hora inconsciente.

Cuando empecé a recuperar el sentido, pero todavía sin abrir los ojos, lo primero que oí fue el comentario preocupado de uno de los cubanos: “ Parece que el compañero se nos murió “ -  Libro Vivir Adrede ( Mario Benedetti )


4 de novembro de 2016

29 de outubro de 2016

Porque hoje é sábado, minha dica de filme: O Lagosta ( The Lobster )





Neste mundo as regras são simples: nenhum adulto pode estar solteiro mais do que 45 dias. Assim, cada vez que alguém perde um parceiro – seja por divórcio ou viuvez –, é levado para um hotel especial para que volte a encontrar um par. Caso não seja bem-sucedido, é transformado num animal previamente escolhido por si e levado para uma floresta.
 Depois de ser abandonado pela mulher, que o trocou por outro homem, David chega ao hotel com o seu irmão, recentemente transformado em cão.Quando percebe que não há maneira de achar quem se interesse por ele e que em breve será transformado em lagosta (o animal que escolheu), decide escapar para a floresta, onde vai deparar-se com outros fora-da-lei que, tal como ele, continuam solteiros  e que querem manter a sua identidade humana.Ali vai conhecer uma mulher especial que lhe mostrará o caminho do verdadeiro amor...



Vencedor do Prémio do Júri no Festival de Cinema de Cannes, "A Lagosta" marca a estreia em língua inglesa do realizador Yorgos Lanthimos, anteriormente distinguido pelo filme filme "Canino" (2009), vencedor do prémio Un Certain Regard no festival de Cannes e do Grande Prémio do Estoril Film Festival, e nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.


E você ? Que animal gostaria de ser ?  Castor, seria minha resposta !


21 de outubro de 2016

Cómplice de Mario Benedetti ( Poema )




Todos necesitamos alguna vez un cómplice
alguien que nos ayude a usar el corazón
que nos espere ufano en los viejos desvanes
que desnude el pasado y desarme el dolor

prodigioso / sencillo / dueño de su silencio
alguien que esté en el barrio donde nacimos o
que por lo menos cargue nuestros remordimientos
hasta que la conciencia nos cuelgue su perdón

cómplice del trasmundo nos defiende del mundo
del sablazo del rayo y las llamas del sol
todos necesitamos alguna vez un cómplice
alguien que nos ayude a usar el corazón



Fin


16 de outubro de 2016

Mão de Obra, por Eduardo Galeano





Mohammed Asharaf não vai à escola
Desde que sai o sol até que a lua apareça, ele corta, recorta, perfura, arma e costura bolas de futebol, que saem rodando da aldeia paquistanesa de Umar Kot para os estádios do mundo.
Mohammed tem onze anos. Faz isso desde os cinco.
Se soubesse ler, e ler em inglês, poderia entender a inscrição que ele prega em cada uma de suas obras – esta bola não foi fabricada por crianças.


Livro" Bocas do Tempo" – Eduardo Galeano



13 de outubro de 2016

Nobel de Literatura ? Ou de música Norte Americana.




O cantor e compositor Bob Dylan, de 75 anos, levou o prêmio Nobel de Literatura em 2016.

"Dylan criou novas expressões poéticas dentro da grande música tradicional americana", diz o comunicado oficial.

 A surpreendente vitória foi anunciada na manhã desta quinta-feira pela Academia Sueca.

Pobre língua portuguesa, sempre tão menosprezada pelos Acadêmicos...

E pensar que em 2011, o Ronaldinho Gaúcho recebeu a Medalha Machado de Assis, a máxima honraria da Academia Brasileira de Letras. 

Agora é aguardar o Nobel de Química para o Keith Richards. E quem sabe um dia, Jorge Luis Borges consiga ser lembrado...







12 de outubro de 2016

Caixa do Correio # 20



1. Livro do Desassossego – Fernando Pessoa I 2. Bocas do Tempo – Eduardo Galeano I 3. Tirza – Arnon Grunberg.


             ETIQUETA: FERNANDO PESSOA
Fernando Pessoa foi morar, ainda na infância, na cidade de Durban (África do Sul), onde seu pai tornou-se cônsul. Neste país teve contato com a língua e literatura inglesa. 

Adulto, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor técnico, publicando seus primeiro poemas em inglês. 

Em 1905, retornou sozinho para Lisboa e, no ano seguinte, matriculou-se no Curso Superior de Letras. Porém, abandou o curso um ano depois. 

Pessoa passou a ter contato mais efetivo com a literatura portuguesa, principalmente Padre Antônio Vieira e Cesário Verde. Foi também influenciado pelos estudos filosóficos de Nietzsche e Schopenhauer. Recebeu também influências do simbolismo francês.

Em 1912, começou suas atividades como ensaísta e crítico literário, na revista Águia. 

A saúde do poeta português começou a apresentar complicações em 1935. Neste ano, foi hospitalizado com cólica hepática, provavelmente causada pelo consumo excessivo de bebida alcoólica. Sua morte prematura, aos 47 anos, provavelmente aconteceu em função destes problemas, pois apresentou cirrose hepática.

O ortônimo e os heterônimos de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa usou em suas obras diversas autorias. Usou seu próprio nome (ortônimo) para assinar várias obras e pseudônimos (heterônimos) para assinar outras. Os heterônimos de Fernando Pessoa tinham personalidade própria e características literárias diferenciadas. São eles:

Álvaro de Campos

Era um engenheiro português de educação inglesa. Influenciado pelo simbolismo e futurismo, apresentava certo niilismo em suas obras. 

Ricardo Reis

Era um médico que escrevia suas obras com simetria e harmonia. O bucolismo estava presente em suas poesias. Era um defensor da monarquia e demonstrava grande interesse pela cultura latina.

Alberto Caeiro

Com uma formação educacional simples (apenas o primário), este heterônimo fazia poesias de forma simples, direta e concreta. Suas obras estão reunidas em Poemas Completos de Alberto Caeiro.


Algumas Obras de Fernando Pessoa

· Do Livro do Desassossego
· Ficções do interlúdio: para além do outro oceano
· Na Floresta do Alheamento
· O Banqueiro Anarquista
· O Marinheiro
· Por ele mesmo



8 de outubro de 2016

Porque hoje é sábado, minha dica de filme: Agnus Dei (Les Innocentes)




SINOPSE E DETALHES

Durante o fim da Segunda Guerra Mundial, na Polônia, a enfermeira francesa Mathilde (Lou de Laâge) descobre que as freiras moradoras de um convento vizinho foram estupradas por soldados invasores. Muitas delas estão grávidas. Apesar da ordem de prestar socorro apenas aos franceses, Mathilde começa a tratar secretamente de todas as freiras e madres. Ela deve enfrentar os julgamentos das próprias pacientes, que se sentem culpadas por terem violado o voto de castidade, e se recusam a ter o corpo tocado por quem quer que seja, mesmo uma enfermeira.
Les Innocentes, no original, não é um filme fácil. Ao longo dos quase 120 minutos de projeção, vamos navegando nas histórias tristes que as grandes guerras produziram durante todos os anos de conflito. Tem que ter um coração forte, é um poderoso drama com muitos momentos emocionantes. 
https://youtu.be/XNB7nHOqv_A  ( Filme completo no Youtube )

3 de outubro de 2016

Por qué ganó el No en Colombia?



"¿Por qué un guerrillero va a recibir un subsidio de 1.300.000 pesos? (450 dólares) ¿Y yo qué? Yo gano 700.000 pesos (242 dólares) y nunca maté ni secuestré a nadie", era una de las frases más repetidas por gente de a pie en referencia a la ayuda económica que el gobierno le iba a entregar a los desmovilizados para que se reintegraran a la sociedad.

"¿Por qué los guerrilleros no van a ir presos? Si quieren dejar las armas que las dejen. Si quieren entrar en política que entren, pero que primero vayan a la cárcel", era la segunda gran piedra en el zapato para los impulsores del Sí.

Otro fundamento -menos escuchado- era que las FARC no iban a poner un peso de su -afirmaban- cuantioso botín de guerra, pero la guerrilla echó por tierra con ese reclamo anteayer, cuando anunció querepararía con dinero procedente de su "economía de guerra" a sus víctimas. ¿Cuántos se enteraron de esto? ¿Cuántos lo tomaron en serio? ¿Cuántos hicieron como que no lo escucharon para votar por el No tranquilos con su conciencia?


Todo esto, se supone, jugó a favor de la derrota del Sí, y nadie arriesga -al menos hoy- que el resultado del plebiscito haga retroceder a Colombia cuatro años y se reinstale el conflicto armado que la desangró durante medio siglo.
No. Por el contrario, la palabra de moda es "renegociar".
"El pueblo está diciendo que hay que revisar el acuerdo", dicen todos los protagonistas, hayan votado por una y otra posición. Gran noticia: se buscarán nuevos acuerdos.
Fonte : Clarin 

1 de outubro de 2016

Porque hoje é sábado, Asli e a m...de qualidade


Asli Berktay ao centro

Matéria do blog : miltonribeiro.sul21.com.br

Hoje acordei com uma recordação vívida de algo ocorrido há mais de 20 anos. Eu deveria ter 12 ou 13 acho, e estava com a minha avó paterna durante o verão na casa de férias dela em Bodrum. Sim, Bodrum, aquele balneário onde foi encontrado o corpo de Aylan Kurdî. Eu passava umas três semanas com ela cada verão, e o nosso ritmo era quase sempre o mesmo, alternando-se entre o mar, a comida, e longas horas de leitura. Minha avó e o marido dela, o meu avô nunca conheci, eram comunistas ardentes que espalharam uma forte disciplina comunista a todas as partes das suas vidas, e sobretudo na educação dos filhos. Meu pai pegou bastante disso também e eu passei pelas consequências. Já não sobrava muito ao nascimento da minha irmã quando eu já tinha quase 15 anos, e ela só conheceu a nossa avó no final da vida dela, quando ela já estava condenada à cama. Mas eu sim peguei a minha dose dessa disciplina.
Bom. Então, essas longas horas de leitura não eram livres, claro. Eu sempre tinha listas, livros que precisava ler para completar a minha educação. Naquele verão, a necessidade que via a minha avó era mais forte ainda, pois aquela Asli adolescente tinha começado de ler histórias de horror e tal, assim como outras coisas que a minha avó considerava de baixíssima qualidade. Então, ela decidiu que aquele verão ia ser de literatura russa. Com 12 anos, eu já tinha lido os “mais clássicos” para assim dizer: Tolstoy, Dostoyevski, Pushkin, Pasternak. Os textos integrais claro, o oposto teria sido inimaginável. Lembro muito bem que após ter terminado Doutor Jivago, as únicas imagens que ficaram na minha mente eram de frio e um monte de gente tomando vodka. Quando não tinha vodka, eles bebiam álcool isopropílico. Vá entender o sentido que faz de dar um livro desses a uma menina de 11 anos!!
Então naquele verão a minha educação de literatura russa era para ser completada. Começou por Chekhov que eu gostei bastante, e incluiu uma tortura demorada dos quatro volumes de And Quiet Flows The Don (para nós, O Don Silencioso) de Sholokhov. Não faço ideia de como foi traduzido ao português. E uma vez parado o devagar e difícil fluxo do Rio Don, chegou a hora de Lermontov. Naquela hora, a menina de 12 ou 13 anos já estava de saco cheio mesmo. E Lermontov chegou com umas imagens horrorosas de cossacos torturados, um com a orelha cortada por aqui, outro sem língua por ai. Violência por todas partes, sangue correndo em todas as direções. Já era a hora de uma conversa séria com a minha avó. Então me preparei, aperfeiçoei o argumento de “se você não quer que eu leia livros de crime por causa da violência e o horror, o quê será isso” e a enfrentei. Fiz um belo discurso de uns vinte minutos, fiquei satisfeita, achando-me muito convincente.
A minha avó ouviu tudo, me olhou por uns minutos, sorriu e foi procurar um dos meus livros de crime/horror de baixa qualidade. Disse que o tinha trazido com ela para quando esse momento chegar. Ao me passar o livro, ela afirmou que ia chegar o dia em que eu ia saber diferenciar entre horror de alta e de baixa qualidade. Ela queria, pelo menos, ter-me apresentado a essa primeira categoria. Também, ela sabia que eu sempre ia gostar da segunda categoria também, que isso fazia parte da minha natureza. E que eu sempre ia ser uma pessoa diversificada, e muito dividida. Mas a responsabilidade dela era me apresentar o padrão de qualidade, para eu logo poder saber quando lia merda, assistia merda, ou fazia merda, que aquilo era merda mesmo. Claro que para ela, o que era “merda” não estava aberto a discussão, ela sabia o que era merda e o que não. E mulher fina que ela era, ela não disse merda, mas já sabia que a expressão que eu ia usar um dia ia ser essa. Concordou que merecia um descanso, então me deixou ler merda à vontade por um tempo. Lembro que, depois desses dias, voltei para Lermontov e acabei de ler os três livros que tínhamos trazido à praia. As únicas imagens que realmente ficaram comigo são ainda de cossacos torturados e de paisagens de desolação. A saudade que sinto pela minha avó, por outro lado, é enorme, e cheia de imagens cada vez mais vivas…

30 de setembro de 2016

Ustedes y Nosotros por Mário Benedetti ( Poema )




Ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual
ustedes cuando aman
calculan interés
y cuando se desaman
calculan otra vez
nosotros cuando amamos
es como renacer
y si nos desamamos
no la pasamos bien
ustedes cuando aman
son de otra magnitud
hay fotos chismes prensa
y el amor es un boom
nosotros cuando amamos
es un amor común
tan simple y tan sabroso
como tener salud
ustedes cuando aman
consultan el reloj
porque el tiempo que pierden
vale medio millón
nosotros cuando amamos
sin prisa y con fervor
gozamos y nos vale
barata la función (…)
ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial
nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual.


27 de setembro de 2016

Caixa do Correio # 19 - Especial ( Livro Tirza )




 SINOPSE

Jörgen Hofmeester tinha uma vida perfeita: uma esposa atraente, uma casa com jardim em um bairro nobre de Amsterdã, uma carreira prestigiosa como editor de livros de ficção estrangeira, duas filhas lindas, Ibi e Tirza, e uma conta-corrente na Suíça. Uma vida burguesa, sossegada, que acaba sendo subvertida por uma série de eventos dramáticos: Ibi, pouco mais que uma menina, é flagrada em situação constrangedora com o inquilino de Jörgen e, depois desse episódio, resolve ir embora para sempre da casa do pai; a esposa de Hofmeester abandona a família em busca de “autorrealização”; a editora, em decisão unilateral, o aposenta antecipadamente; Tirza, a caçula e filha predileta, objeto da obsessão paterna, quando conclui os estudos, parte para uma longa viagem pela África com o namorado marroquino, que guarda inquietante semelhança com Mohammed Atta. A narrativa começa com Hofmeester preparando meticulosamente sushis para a festa de formatura e despedida de Tirza. Por trás do aparente autocontrole de Hofmeester e de seu desprezo por qualquer emoção, há uma violência reprimida, uma tensão constante, uma ameaça invisível, elementos que dominarão a trajetória do protagonista até o imprevisto e desconcertante final. 

Tirza é, ao mesmo tempo, um romance assustador e fascinante, divertido e sinistro, a história de um homem em desesperada, embora inútil, busca por salvação.


( FOTO : Meu velho com o escritor Aron, durante o Festival Tarrafa Literária em Santos )



23 de setembro de 2016

Te Espero por Mario Benedetti ( Poema )




Te espero cuando la noche se haga día,
suspiros de esperanzas ya perdidas.
No creo que vengas, lo sé,
sé que no vendrás.
Sé que la distancia te hiere,
sé que las noches son más frías,
Sé que ya no estás.
Creo saber todo de ti.
Sé que el día de pronto se te hace noche:
sé que sueñas con mi amor, pero no lo dices,
sé que soy un idiota al esperarte,
Pues sé que no vendrás.

Te espero cuando miremos al cielo de noche:
tu allá, yo aquí, añorando aquellos días
en los que un beso marcó la despedida,
Quizás por el resto de nuestras vidas.
Es triste hablar así.
Cuando el día se me hace de noche,
Y la Luna oculta ese sol tan radiante.
Me siento sólo, lo sé,
nunca supe de nada tanto en mi vida,
solo sé que me encuentro muy sólo,
y que no estoy allí.
Mis disculpas por sentir así,
nunca mi intención ha sido ofenderte.
Nunca soñé con quererte,
ni con sentirme así.
Mi aire se acaba como agua en el desierto.
Mi vida se acorta pues no te llevo dentro.
Mi esperanza de vivir eres tu,
y no estoy allí.
¿Por qué no estoy allí?, te preguntarás,
¿Por qué no he tomado ese bus que me llevaría a ti?
Porque el mundo que llevo aquí no me permite estar allí.
Porque todas las noches me torturo pensando en ti.
¿Por qué no solo me olvido de ti?
¿Por qué no vivo solo así?
¿Por qué no solo....