29 de outubro de 2016

Porque hoje é sábado, minha dica de filme: O Lagosta ( The Lobster )





Neste mundo as regras são simples: nenhum adulto pode estar solteiro mais do que 45 dias. Assim, cada vez que alguém perde um parceiro – seja por divórcio ou viuvez –, é levado para um hotel especial para que volte a encontrar um par. Caso não seja bem-sucedido, é transformado num animal previamente escolhido por si e levado para uma floresta.
 Depois de ser abandonado pela mulher, que o trocou por outro homem, David chega ao hotel com o seu irmão, recentemente transformado em cão.Quando percebe que não há maneira de achar quem se interesse por ele e que em breve será transformado em lagosta (o animal que escolheu), decide escapar para a floresta, onde vai deparar-se com outros fora-da-lei que, tal como ele, continuam solteiros  e que querem manter a sua identidade humana.Ali vai conhecer uma mulher especial que lhe mostrará o caminho do verdadeiro amor...



Vencedor do Prémio do Júri no Festival de Cinema de Cannes, "A Lagosta" marca a estreia em língua inglesa do realizador Yorgos Lanthimos, anteriormente distinguido pelo filme filme "Canino" (2009), vencedor do prémio Un Certain Regard no festival de Cannes e do Grande Prémio do Estoril Film Festival, e nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.


E você ? Que animal gostaria de ser ?  Castor, seria minha resposta !


21 de outubro de 2016

Cómplice de Mario Benedetti ( Poema )




Todos necesitamos alguna vez un cómplice
alguien que nos ayude a usar el corazón
que nos espere ufano en los viejos desvanes
que desnude el pasado y desarme el dolor

prodigioso / sencillo / dueño de su silencio
alguien que esté en el barrio donde nacimos o
que por lo menos cargue nuestros remordimientos
hasta que la conciencia nos cuelgue su perdón

cómplice del trasmundo nos defiende del mundo
del sablazo del rayo y las llamas del sol
todos necesitamos alguna vez un cómplice
alguien que nos ayude a usar el corazón



Fin


16 de outubro de 2016

Mão de Obra, por Eduardo Galeano





Mohammed Asharaf não vai à escola
Desde que sai o sol até que a lua apareça, ele corta, recorta, perfura, arma e costura bolas de futebol, que saem rodando da aldeia paquistanesa de Umar Kot para os estádios do mundo.
Mohammed tem onze anos. Faz isso desde os cinco.
Se soubesse ler, e ler em inglês, poderia entender a inscrição que ele prega em cada uma de suas obras – esta bola não foi fabricada por crianças.


Livro" Bocas do Tempo" – Eduardo Galeano



13 de outubro de 2016

Nobel de Literatura ? Ou de música Norte Americana.




O cantor e compositor Bob Dylan, de 75 anos, levou o prêmio Nobel de Literatura em 2016.

"Dylan criou novas expressões poéticas dentro da grande música tradicional americana", diz o comunicado oficial.

 A surpreendente vitória foi anunciada na manhã desta quinta-feira pela Academia Sueca.

Pobre língua portuguesa, sempre tão menosprezada pelos Acadêmicos...

E pensar que em 2011, o Ronaldinho Gaúcho recebeu a Medalha Machado de Assis, a máxima honraria da Academia Brasileira de Letras. 

Agora é aguardar o Nobel de Química para o Keith Richards. E quem sabe um dia, Jorge Luis Borges consiga ser lembrado...







12 de outubro de 2016

Caixa do Correio # 20



1. Livro do Desassossego – Fernando Pessoa I 2. Bocas do Tempo – Eduardo Galeano I 3. Tirza – Arnon Grunberg.


             ETIQUETA: FERNANDO PESSOA
Fernando Pessoa foi morar, ainda na infância, na cidade de Durban (África do Sul), onde seu pai tornou-se cônsul. Neste país teve contato com a língua e literatura inglesa. 

Adulto, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor técnico, publicando seus primeiro poemas em inglês. 

Em 1905, retornou sozinho para Lisboa e, no ano seguinte, matriculou-se no Curso Superior de Letras. Porém, abandou o curso um ano depois. 

Pessoa passou a ter contato mais efetivo com a literatura portuguesa, principalmente Padre Antônio Vieira e Cesário Verde. Foi também influenciado pelos estudos filosóficos de Nietzsche e Schopenhauer. Recebeu também influências do simbolismo francês.

Em 1912, começou suas atividades como ensaísta e crítico literário, na revista Águia. 

A saúde do poeta português começou a apresentar complicações em 1935. Neste ano, foi hospitalizado com cólica hepática, provavelmente causada pelo consumo excessivo de bebida alcoólica. Sua morte prematura, aos 47 anos, provavelmente aconteceu em função destes problemas, pois apresentou cirrose hepática.

O ortônimo e os heterônimos de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa usou em suas obras diversas autorias. Usou seu próprio nome (ortônimo) para assinar várias obras e pseudônimos (heterônimos) para assinar outras. Os heterônimos de Fernando Pessoa tinham personalidade própria e características literárias diferenciadas. São eles:

Álvaro de Campos

Era um engenheiro português de educação inglesa. Influenciado pelo simbolismo e futurismo, apresentava certo niilismo em suas obras. 

Ricardo Reis

Era um médico que escrevia suas obras com simetria e harmonia. O bucolismo estava presente em suas poesias. Era um defensor da monarquia e demonstrava grande interesse pela cultura latina.

Alberto Caeiro

Com uma formação educacional simples (apenas o primário), este heterônimo fazia poesias de forma simples, direta e concreta. Suas obras estão reunidas em Poemas Completos de Alberto Caeiro.


Algumas Obras de Fernando Pessoa

· Do Livro do Desassossego
· Ficções do interlúdio: para além do outro oceano
· Na Floresta do Alheamento
· O Banqueiro Anarquista
· O Marinheiro
· Por ele mesmo



8 de outubro de 2016

Porque hoje é sábado, minha dica de filme: Agnus Dei (Les Innocentes)




SINOPSE E DETALHES

Durante o fim da Segunda Guerra Mundial, na Polônia, a enfermeira francesa Mathilde (Lou de Laâge) descobre que as freiras moradoras de um convento vizinho foram estupradas por soldados invasores. Muitas delas estão grávidas. Apesar da ordem de prestar socorro apenas aos franceses, Mathilde começa a tratar secretamente de todas as freiras e madres. Ela deve enfrentar os julgamentos das próprias pacientes, que se sentem culpadas por terem violado o voto de castidade, e se recusam a ter o corpo tocado por quem quer que seja, mesmo uma enfermeira.
Les Innocentes, no original, não é um filme fácil. Ao longo dos quase 120 minutos de projeção, vamos navegando nas histórias tristes que as grandes guerras produziram durante todos os anos de conflito. Tem que ter um coração forte, é um poderoso drama com muitos momentos emocionantes. 
https://youtu.be/XNB7nHOqv_A  ( Filme completo no Youtube )

3 de outubro de 2016

Por qué ganó el No en Colombia?



"¿Por qué un guerrillero va a recibir un subsidio de 1.300.000 pesos? (450 dólares) ¿Y yo qué? Yo gano 700.000 pesos (242 dólares) y nunca maté ni secuestré a nadie", era una de las frases más repetidas por gente de a pie en referencia a la ayuda económica que el gobierno le iba a entregar a los desmovilizados para que se reintegraran a la sociedad.

"¿Por qué los guerrilleros no van a ir presos? Si quieren dejar las armas que las dejen. Si quieren entrar en política que entren, pero que primero vayan a la cárcel", era la segunda gran piedra en el zapato para los impulsores del Sí.

Otro fundamento -menos escuchado- era que las FARC no iban a poner un peso de su -afirmaban- cuantioso botín de guerra, pero la guerrilla echó por tierra con ese reclamo anteayer, cuando anunció querepararía con dinero procedente de su "economía de guerra" a sus víctimas. ¿Cuántos se enteraron de esto? ¿Cuántos lo tomaron en serio? ¿Cuántos hicieron como que no lo escucharon para votar por el No tranquilos con su conciencia?


Todo esto, se supone, jugó a favor de la derrota del Sí, y nadie arriesga -al menos hoy- que el resultado del plebiscito haga retroceder a Colombia cuatro años y se reinstale el conflicto armado que la desangró durante medio siglo.
No. Por el contrario, la palabra de moda es "renegociar".
"El pueblo está diciendo que hay que revisar el acuerdo", dicen todos los protagonistas, hayan votado por una y otra posición. Gran noticia: se buscarán nuevos acuerdos.
Fonte : Clarin 

1 de outubro de 2016

Porque hoje é sábado, Asli e a m...de qualidade


Asli Berktay ao centro

Matéria do blog : miltonribeiro.sul21.com.br

Hoje acordei com uma recordação vívida de algo ocorrido há mais de 20 anos. Eu deveria ter 12 ou 13 acho, e estava com a minha avó paterna durante o verão na casa de férias dela em Bodrum. Sim, Bodrum, aquele balneário onde foi encontrado o corpo de Aylan Kurdî. Eu passava umas três semanas com ela cada verão, e o nosso ritmo era quase sempre o mesmo, alternando-se entre o mar, a comida, e longas horas de leitura. Minha avó e o marido dela, o meu avô nunca conheci, eram comunistas ardentes que espalharam uma forte disciplina comunista a todas as partes das suas vidas, e sobretudo na educação dos filhos. Meu pai pegou bastante disso também e eu passei pelas consequências. Já não sobrava muito ao nascimento da minha irmã quando eu já tinha quase 15 anos, e ela só conheceu a nossa avó no final da vida dela, quando ela já estava condenada à cama. Mas eu sim peguei a minha dose dessa disciplina.
Bom. Então, essas longas horas de leitura não eram livres, claro. Eu sempre tinha listas, livros que precisava ler para completar a minha educação. Naquele verão, a necessidade que via a minha avó era mais forte ainda, pois aquela Asli adolescente tinha começado de ler histórias de horror e tal, assim como outras coisas que a minha avó considerava de baixíssima qualidade. Então, ela decidiu que aquele verão ia ser de literatura russa. Com 12 anos, eu já tinha lido os “mais clássicos” para assim dizer: Tolstoy, Dostoyevski, Pushkin, Pasternak. Os textos integrais claro, o oposto teria sido inimaginável. Lembro muito bem que após ter terminado Doutor Jivago, as únicas imagens que ficaram na minha mente eram de frio e um monte de gente tomando vodka. Quando não tinha vodka, eles bebiam álcool isopropílico. Vá entender o sentido que faz de dar um livro desses a uma menina de 11 anos!!
Então naquele verão a minha educação de literatura russa era para ser completada. Começou por Chekhov que eu gostei bastante, e incluiu uma tortura demorada dos quatro volumes de And Quiet Flows The Don (para nós, O Don Silencioso) de Sholokhov. Não faço ideia de como foi traduzido ao português. E uma vez parado o devagar e difícil fluxo do Rio Don, chegou a hora de Lermontov. Naquela hora, a menina de 12 ou 13 anos já estava de saco cheio mesmo. E Lermontov chegou com umas imagens horrorosas de cossacos torturados, um com a orelha cortada por aqui, outro sem língua por ai. Violência por todas partes, sangue correndo em todas as direções. Já era a hora de uma conversa séria com a minha avó. Então me preparei, aperfeiçoei o argumento de “se você não quer que eu leia livros de crime por causa da violência e o horror, o quê será isso” e a enfrentei. Fiz um belo discurso de uns vinte minutos, fiquei satisfeita, achando-me muito convincente.
A minha avó ouviu tudo, me olhou por uns minutos, sorriu e foi procurar um dos meus livros de crime/horror de baixa qualidade. Disse que o tinha trazido com ela para quando esse momento chegar. Ao me passar o livro, ela afirmou que ia chegar o dia em que eu ia saber diferenciar entre horror de alta e de baixa qualidade. Ela queria, pelo menos, ter-me apresentado a essa primeira categoria. Também, ela sabia que eu sempre ia gostar da segunda categoria também, que isso fazia parte da minha natureza. E que eu sempre ia ser uma pessoa diversificada, e muito dividida. Mas a responsabilidade dela era me apresentar o padrão de qualidade, para eu logo poder saber quando lia merda, assistia merda, ou fazia merda, que aquilo era merda mesmo. Claro que para ela, o que era “merda” não estava aberto a discussão, ela sabia o que era merda e o que não. E mulher fina que ela era, ela não disse merda, mas já sabia que a expressão que eu ia usar um dia ia ser essa. Concordou que merecia um descanso, então me deixou ler merda à vontade por um tempo. Lembro que, depois desses dias, voltei para Lermontov e acabei de ler os três livros que tínhamos trazido à praia. As únicas imagens que realmente ficaram comigo são ainda de cossacos torturados e de paisagens de desolação. A saudade que sinto pela minha avó, por outro lado, é enorme, e cheia de imagens cada vez mais vivas…