21 de dezembro de 2015

Um conto de Natal por Eduardo Gaelano



Fernando Silva dirige el hospital de niños en Managua.

En vísperas de Navidad, se quedó trabajando hasta muy tarde. Ya estaban sonando los cohetes, y empezaban los fuegos artificiales a iluminar el cielo, cuando Fernando decidió marcharse. En su casa lo esperaban para festejar.


Hizo una última recorrida por las salas, viendo si todo queda en orden, y en eso estaba cuando sintió que unos pasos lo seguían. Unos pasos de algodón; se volvió y descubrió que uno de los enfermitos le andaba atrás. En la penumbra lo reconoció. Era un niño que estaba solo. Fernando reconoció su cara ya marcada por la muerte y esos ojos que pedían disculpas o quizá pedían permiso.


Fernando se acercó y el niño lo rozó con la mano:

-Decile a... -susurró el niño-

Decile a alguien, que yo estoy aquí.



NOCHEBUENA,  Eduardo Galeano.

 ( Feliz Natal para todos ! )



20 de dezembro de 2015

Portinari, Graciliano Ramos e a microcefalia.



Portinari, com a tela Os retirantes de 1944 quis mostrar uma realidade social ,que a maioria parece não querer ver, com uma intenção clara de denúncia social, problemas de miséria, ignorância, opressão nas relações de trabalho e apresentando a força da natureza sobre um homem completamente desprotegido.

Um pouco antes
 de Portinari, Graciliano Ramos escreveu o belíssimo romance Vidas Secas, que narra a historia de Fabiano e sua família, formada pela esposa Sinha Vitória, os filhos identificados apenas como Menino mais novo e Menino mais velho e a cachorrinha Baleia, caminhando sob o escaldante sol do nordeste a procura de comida e emprego.  

Hoje, ao abrir o Jornal Estado de São Paulo, me deparo com a seguinte matéria : "A terra Castigada pela seca e pela microcefalia. " 


Se já não bastasse a seca... 

E quando a " modinha" do Zika Vírus passar,( pois um dia vai passar, e no Brasil não costuma demorar muito. ) o que vai ser dessa mãe ? Sem comida, água potável, saneamento básico, dinheiro, hospital e tratamento adequado para o filho. 

 



16 de dezembro de 2015

Tuyo, por Rodrigo Amarante - Abertura da série Narcos






Soy el fuego que arde tu piel
Soy el agua que mata tu sed
El castillo, la torre yo soy
La espada que guarda el caudal

Tu el aire que respiro yo
Y la luz de la luna en el mar
La garganta que ansio mojar
Que temo ahogar de amor

¿Y cuales deseos me vas a dar?
Dices tu: Mi tesoro basta con mirarlo
Tuyo será, y tuyo será


12 de dezembro de 2015

El origen del mundo por Eduardo Galeano



HACÍA pocos años que había terminado la guerra de España y la cruz y la espada reinaban sobre las ruinas de la República. Uno de los vencidos, un obrero anarquista, recién salido de la cárcel, buscaba trabajo. En vano revolvía cielo y tierra. No había trabajo para un rojo. Todos le ponían mala cara, se encogían de hombros o le daban la espalda. Con nadie se entendía, nadie lo escuchaba. El vino era el único amigo que le quedaba. Por las noches, ante los platos vacíos, soportaba sin decir nada los reproches de su esposa beata, una mujer de misa diaria, mientras el hijo, un niño pequeño, le recitaba el catecismo. 

Mucho tiempo después, Josep Verdura, el hijo de aquel obrero maldito, me lo contó. Me lo contó en Barcelona, cuando yo llegue al exilio. Me lo contó: el era un niño desesperado que quería salvar a su padre de la condenación eterna y el muy ateo, el muy tozudo, no entendía razones. 

-Pero papá – le dijo Josep, llorando-. Si Dios no existe, ¿Quién hizo el mundo? 
-Tonto 
–dijo el obrero, cabizbajo, casi en secreto-. Tonto. Al mundo lo hicimos nosotros, los albañiles. 

Eduardo Galeano 
(de "El libro de los abrazos" )



11 de dezembro de 2015

7 de dezembro de 2015

O triste fim da Cosac Naify


( via editora época)
Na última segunda-feira, 30 de novembro, todos os figurões do mercado editorial estavam reunidos na Biblioteca do Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste de São Paulo.Aguardavam o anúncio dos vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura

Dos dez finalistas, três foram publicados pela Cosac NaifyTempo de espalhar pedras, de Estevão AzevedoO oitavo selo, de Heloisa Seixas e Caderno de um ausente, de João Anzanello Carrascoza. Tempo de espalhar pedras foi o grande vencedor da noite, eleito o livro do ano. 

Por volta das 9 horas, uma postagem no Facebook da editora comemorava: “Estamos cheios de orgulho, parabéns ao escritor!”. Minutos depois, o site do jornal O Estado de S.Paulo publicou uma entrevista exclusiva com o dono da Cosac Naify, Charles Cosac, que anunciava o fim da editora.

Em tempo :


A Cosac Naify marcou para de 17 a 19 de dezembro, das 13h às 20h, no Centro Cultural b_arco, o bazar para iniciar a venda de seu estoque –mas sem "descontos agressivos", avisa a empresa. A casa já pediu às livrarias que, a partir de janeiro, devolvam tudo o que estiver em consignação. De todo modo, esta é só uma das questões que a editora vai precisar enfrentar. O clima no mercado ainda é de incerteza. Há dúvidas sobre como os direitos autorais serão pagos depois de janeiro, quando a equipe estará demitida. Charles Cosac diz que manterá um grupo "de cinco a sete pessoas" para cuidar disso.

Parafrasendo Carlos Drummond de Andrade : E agora José ? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora , José ?

2 de dezembro de 2015

Ditadura militar no Brasil, Interpretação da música : O bêbado e a equilibrista.




(via redesfigurar blog)
João Bosco (melodia) e Aldir Blanc (letra), gravam em 1979 esta música, interpretada por Elis Regina. Seu lançamento ocorre em um momento de intensa repressão ideológica e consequente perseguição política. Esse período que inicia em 1964 e vai até fins da década de 1980 é conhecido como Ditadura Militar. Nessa época, era preciso usar-se uma grande transferência de sentidos, ou seja, linguagens metafóricas. Essas linguagens conferem a determinados objetos de pensamento atributos pertencentes a outro. Pensando nisso, os artistas faziam, assim, músicas repletas de linguagens figuradas, cujas informações subliminares precisam ser conhecidas por aqueles que as recebem, para compreender o real manifesto da música, como no caso a ser analisado.


Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...



Na primeira estrofe da canção, há referências ao otimismo que o Brasil vivia até a da primeira metade da década de 1960. Aldir Blanc pode ter recorrido a uma figura poética calcada em velhos temas, como o filme Luzes da Ribalta com Carlitos, uma das personagens mais conhecidas de Charlie Chaplin. Um andarilho de chapéu-coco, bigode e um paletó muito apertado que, apesar de pobre, agia como um cavalheiro. Fica clara a contradição entre “bêbado” e “luto”: a alegria do vagabundo que tenta driblar a situação e o estado melancólico da sociedade brasileira.

No entanto, a luz do progresso chega ao fim, pois “caía a tarde feito viaduto”. Essa passagem alude a duas tragédias semelhantes:
Uma, que ocorreu no Rio de Janeiro, em janeiro de 1971, foi o desabamento, durante sua construção, sobre ônibus, pedestres e carros, de parte de uma imensa elevada que se estendia por quilômetros, o Viaduto Paulo Frontin.

Outra, em Belo Horizonte, em fevereiro de 1971, foi um pavilhão que, projetado por Oscar Niemeyer sob a ordem do governador de Minas Gerais, Israel Pinheiro, também desabou sobre os operários, durante a hora de folga, no meio-dia.

Esse conjunto de construções correspondia ao “milagre econômico” que a ditadura tentava apresentar à população brasileira, para recuperar as antigas euforias dos períodos populistas. Porém, seus equívocos e acidentes, como estes dois denunciados metaforicamente na música não eram divulgados pela mídia da época e as vítimas dificilmente eram indenizadas pelo governo responsável. Além disso, “caía a tarde” nos remete ao horário do dia quando as sessões de tortura do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) começavam.


A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

A lua apenas reflete a luz do sol. Esse é o tema da segunda estrofe, que faz menção aos reflexos do passado. Assim, segue a noite, referida na terceira, quarta e quinta estrofe, denunciando em linguagem figurada e elaborada as consequências da ditaduras: torturas, exílios, desaparecimentos e famílias dilaceradas. Ademais, a Lua não tem brilho próprio, mas como proprietária do prostíbulo, rouba-o das suas empregadas; um brilho falso, que pode representar os políticos que se “venderam” ao regime militar, em troca de benefícios pessoais, com os recursos “roubados” do país.


E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas

Que sufoco!
Louco! 


Anterior à caneta esferográfica, mata-borrão era um papel que absorvia a tinta em excesso das canetas-tinteiro para evitar erros. Saber disso permite compreender que havia determinados controles e atitudes punitivas para aqueles que “manchassem” a ordem presente na ditadura. Ressalta-se que os ditador pode ser ironizado como o “louco” apontado nesta estrofe da música. 



"Suicídio"  de  Vladimir, em 25 de outubro de 1975
Meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete

Chora a nossa pátria mãe gentil,

Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil

Henfil, que rima com Brasil, é um apelido ou pseudônimo do cartunista e jornalista Henrique Filho que, exilado, era irmão de Herbert de Souza, o Betinho, sociólogo e ativista de direitos humanos, também perseguido e exilado, como tantos outros brasileiros.

Chora!
A nossa Pátria Mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil...


Clarice era esposa do jornalista Vladimir Herzog, que fazia parte do movimento de resistência contra o regime e teve um suicídio por enforcamento muito mal forjado em uma cela do DOI-CODI. Maria, por sua vez, era esposa do metalúrgico Manuel Fiel Filho, torturado até a morte sob a acusação de fazer parte do Partido Comunista Brasileiro, embora seu real crime tenha sido ler o jornal A Voz Operária. No plural, “Marias e Clarisses” são todas as mulheres, sejam mães, filhas ou esposas, que sofreram por alguém que fora torturado ou exilado. Além disso, destaca-se o tom de ironia ao rimar um refrão do Hino Nacional com Brasil, neste refrão, onde apresenta justamente um Estado que deveria nos proteger, mas que nos tortura.


Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...



Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...

Há uma história brasileira do início do século XX, baseada na vida de Zequinha de Abreu, compositor de Tico-Tico no Fubá, um músico que se apaixona pela trapezista de um circo e compõe uma valsa homônima à moça chamada Branca. Assim, ele rompe seu noivado para seguir a caravana circense, mas se decepciona e volta à terra natal, onde vive seu casamento deprimido e começa a tocar em bailes de carnaval seu grande sucesso (Tico-tico no Fubá). Eis que um dia a vê entrando no salão com o marido e interrompe o chorinho que dá nome ao filme e começa a tocar Branca. Tocada pela emoção de ouvir sua música ela vai a seu encontro, mas Zequinha abandona o piano e sai desesperado pelos fundos do clube e acaba morrendo em seus braços num ataque cardíaco fulminante.



Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...


Protestos na década de 70 contra a Ditadura Militar

Os artistas, não conformados com a opressão, usariam assim a expressão artística, como uma arma disponível para defender a democratização, em meio ao comportamento da sociedade, que vivia na corda bamba, sempre por um triz a ser pega fora da linha estipulada pelos militares. Mas em meio a essa corda bamba de incertezas, todos prosseguem com sua lida cotidiana. E a esperança é o que faz eles prosseguirem com a luta para seguir adiante; afinal, “… o show tem que continuar…