29 de outubro de 2015

24 de outubro de 2015

Conselhos de Polônio para o filho Laertes em Hamlet de Shakespeare - Tradução de Millor Fernandes.




 " Poucas vezes leremos algo tão sábio, tão lúdico e verdadeiro em tão poucas palavras."

Laertes encerra sua despedida da irmã Ofélia...

LAERTES: Não se preocupe comigo.
Mas já me demorei muito. E aí vem meu pai, (Entra Polônio.)
Uma dupla bênção é uma dupla graça.
Feliz por despedir-me duas vezes.


POLÔNIO: Ainda aqui, Laertes! Já devia estar no navio, que diabo!
O vento já sopra na proa de teu barco;
Só esperam por ti. Vai, com a minha bênção, vai!
(Põe a mão na cabeça de Laertes.)


E trata de guardar estes poucos preceitos:
( em Azul, tão bem sintetizado pelo professor Leandro Karnal )

1) Não dá voz ao que pensares, nem transforma em ação um pensamento tolo.

1)      Não  expressar tudo o que se pensa.

2) Sejas amistoso, sim, jamais vulgar.

2)     Ser amistoso, mas nunca ser vulgar.

3)Os amigos que tenhas, já postos à prova,
Prende-os na tua alma com grampos de aço;
Mas não caleja a mão festejando qualquer galinho implume
Mal saído do ovo

3)    Valorizar amigos testados, mas não oferecer amizade a cada um que aparecer a sua frente.

4)Procura não entrar em nenhuma briga;
Mas, entrando, encurrala o medo no inimigo.

4)     Evitar qualquer briga, mas se for obrigado a entrar numa, que seus inimigos o temam.

5)Presta ouvido a muitos, tua voz a poucos.Acolhe a opinião de todos – mas você decide.

5)     Ouvir a todos, mas falar com poucos.

6)Usa roupas tão caras quanto tua bolsa permitir,
Mas nada de extravagâncias – ricas, mas não pomposas.
O hábito revela o homem,
E, na França, as pessoas de poder ou posição
Se mostram distintas e generosas pelas roupas que vestem.

6)    Usar roupas de acordo com sua renda, sem nunca ser extravagante.

7)Não empreste nem peça emprestado:
Quem empresta perde o amigo e o dinheiro;
Quem pede emprestado já perdeu o controle de sua economia.

7)   Não emprestar dinheiro a amigos, para não perder amigos e dinheiro.

8)E, sobretudo, isto: sê fiel a ti mesmo.
Jamais serás falso pra ninguém 

8)   Ser fiel a ti mesmo, e jamais serás falso com ninguém.

Adeus. Que minha bênção faça estes conselhos frutificarem em ti.


LAERTESCom toda a humildade, eu me despeço, pai.


POLÔNIO: Vai – que o tempo foge. Teus criados esperam.


21 de outubro de 2015

Otro Cielo, por Mario Benedetti



No existe esponja para lavar el cielo
pero aunque pudieras enjabonarlo
y luego echarle baldes y baldes de mar
y colgarlo al sol para que se seque
siempre faltaría el pájaro en silencio

no existen métodos para tocar el cielo
pero aunque te estiraras como una palma
y lograras rozarlo en tus delirios
y supieras al fin como es al tacto
siempre te faltaría la nube de algodón

no existe un puente para cruzar el cielo
pero aunque consiguieras llegar a la otra orilla
a fuerza de memoria y pronósticos
y comprobaras que no es tan dificil
siempre te faltaría el pino del crepusculo

eso es por que se trata de un cielo que no es tuyo
aunque sea impetuoso y desgarrado
en cambio cuando llegue al que te pertenece
no lo querrás lavar ni tocar ni cruzar
pero estarán el pájaro y la nube y el pino.




19 de outubro de 2015

Caixa do Correio # 10


1. 1968 - Zuenir Ventura I 2. El Cumpleaños de Juan Angel - Mario Benedetti                   I 3. Travessuras de Menina Má - Mario Vargas Llosa 

       ETIQUETA: MARIO VARGAS LLOSA                        
Mario Vargas Llosa (1936) é um escritor, jornalista, ensaísta e político peruano. Foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 2010. com  “Travessura da Menina Má”

Jorge Mario Pedro Vargas Llosa (1939) nasceu em Arequipa, no Peru, no dia 26 de março de 1936. Passou sua infância na cidade de Conchabamba na Bolívia. De volta ao Peru, estudou Direito e Letras na Universidade de San Marcos, em Lima. Em 1959 muda-se para Madri, onde ingressa no Doutorado em Filosofia e Letras. Publica um volume de contos “Os Chefes”. Em seguida vai para Paris como jornalista e redator da revista France Press.

Em 1962 publica seu primeiro sucesso “Batismo de Fogo”, um romance com ambientação numa escola militar rígida e cruel. A obra foi uma denúncia sobre a realidade política do Peru, país que vivia uma ditadura. Em 1963 publica “A Cidade dos Cachorros”. Em seguida “A Casa Verde” (1966), que recebe o Prêmio Rómulo Gallegos. “Conversa de Catedral” (1969) foi um dos livros mais importantes do autor, onde narra uma época da ditadura em seu país.

Antes simpatizante do socialismo e admirador da Revolução Cubana, sua postura começou a mudar depois de visitar a URSS, 1966. Começou também a se afastar da política cubana em função da censura implantada no país. Em 1981 publica “A Guerra do Fim do Mundo”, que narrava uma história da guerra de Canudos misturando personagens fictícios e reais.
Em 1985 recebe a Medalha de Honra do Governo francês. Em 1990 se candidata à presidência de seu país, por uma coligação de centro direita. Vai para o segundo turno, mas perde para Alberto Fujimori.

Mario Vargas Llosa resolve deixar o país, vai para a Espanha onde obtém a cidadania espanhola. Vai em seguida para Londres e retorna a suas atividades literárias. Suas experiências como escritor e candidato à presidência foram relatados em sua autobiografia “Peixe na Água” (1991). Em 2006 publica “Travessura da Menina Má”, obra e ficção, levemente autobiográfica.

Mario Vargas Llosa escreveu diversos ensaios e grande parte de cunho político. O mais comentado foi “Sabres e Utopias” (2009), livro no qual resume seu pensamento a favor das liberdades e contra a tirania dos governos totalitários.

Recomendadíssimo o livro Travessura da Menina Má. Um dos melhores livros que li esse ano. Nota 5 estrelas.


16 de outubro de 2015

Será o fim da Playboy ?



A Playboy americana deixará de publicar imagens de mulheres totalmente nuas como parte de uma reformulação editorial. A mudança se justifica pela realidade imposta pela internet onde apenas um clique já há acesso livre a qualquer imagem sobre sexo.

Para uma geração de homens ler Playboy era um rito cultural, uma emoção ilícita consumida quase às escuras. Lembro-me de ter lido minha primeira Playboy quando eu tinha 13 anos. Para mim foi a Glória ! Agora, qualquer adolescentes com internet no computador ou celular, têm o universo em suas mãos. As revistas pornográficas, inclusive as que incluem outros conteúdos como a Playboy, perderam seu valor de impacto, comercial e sua relevância cultural.Mais do que isso, com o tal do whatsapp, o sexo virou coisa banal, ao ponto de se tornar vulgar.

Será esse o fim das revistas masculinas ? Eu sou da mesma opinião do Fabrício Carpinejar, o romantismo um dia, será o erótico do futuro. Ou as relações humanas se convergem ao sadismo/luxuria  ou  ao  romantismo.