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Porque hoje é sábado, minha dica de filme, Moonlight


Moonlight narra a história de Chiron, um menino introspectivo, filho de uma mãe viciada em crack cujo paradeiro do pai não se sabe. Quem acaba se tornando sua figura paterna é o traficante do bairro, Juan, vivido por um impecável Mahershala Ali, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. É improvável, mas afetuosa e verdadeira a relação a que se estabelece entre os dois.

E para tornar a vida mais complicada, Chiron sofre bullyings constantes dos colegas de escola simplesmente porque talvez seja gay, algo que nem ele entende muito bem ainda o que seja e muito menos sabe se é.

Ironicamente, Chiron repete a saga destinada a Juan. Mas também carrega em si muitas contradições. Ser negro, crescer na periferia de uma grande cidade americana, não ser o estereótipo do machão (máscara importante para se afirmar em uma sociedade machista e violenta), descobrir e assumir sua sexualidade, descobrir quem se é. Não há respostas rápidas nem fáceis para Chiron. E muito por isso, a história com o amigo de infância Kevin (o garoto Jharrel Jerome), que protagoniza com ele a outra bela cena na praia, impregnada de descobertas e desejo, não acaba na adolescência.

Ainda que em diferentes fases da vida do personagem, os três atores que vivem Chiron carregam o mesmo olhar melancólico e solitário, sempre em busca do afeto que tanto falta e que ele alcança com dificuldade em cada uma de suas relações. Black pode ser um traficante temido, mas sua armadura é fina e translúcida. Quando Kevin ,já adulto, interpretado por André Holland, questiona Black e manda um direto “quem é você?”, é como se estivesse fazendo a pergunta a Little( Chiron na fase jovem). E a questão ecoa, obviamente, no espectador.

Texto base: Carta Capital

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